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quinta-feira, 23 de abril de 2015

Acorda, Alice!

A única Alice que conheço é minha tia e madrinha, ela tem os pés bem plantados no chão e domina muito bem as questões do bom senso.

A Alice que me refiro é a do País das Maravilhas, aquela que se ilude com um coelho que está sempre atrasado correndo atrás do prejuízo, por conta disso ela que tenta persegui-lo, cai em um mundo desconhecido, dentro de si mesma.

Ela pede ajuda a um gato que mostra somente um sorriso, e às vezes o rabo, ele se prontifica a ajudá-la, ela questiona para onde a estrada vai, ele questiona onde ela quer ir, ela se reconhece perdida e não sabe, ele responde: “Para quem não sabe onde vai, qualquer caminho serve”.

Para quem não sabe onde vai, qualquer caminho serve.


Parece insanidade pura, mas o drama de Alice é vivido por cada um de nós em algum momento da vida, enquanto na adolescência tudo bem, mas quando essa fase adentra a idade adulta é hora de se preocupar, porque o drama não atrapalha somente a vida de “Alice” (nosso perdido ou perdida de plantão), mas a vida de todos ao seu redor.

Há quem diga que Alice se entrega ao serendipismo, o que não é verdade, pois seguir um caminho por não saber onde quer ir, é diferente de encontrar um caminho por acaso e decidir segui-lo porque tem afinidade com ele, embora não tenha se programado para isso. Acredito que você notou que ao detectar afinidade, significa que você está no controle, sabe exatamente o que deseja, examinou o caminho e notou que ele pode ser interessante, se não fosse jamais o trilharia. Agora estar perdido é encarar qualquer caminho tem grande chance de você se dar mal, mesmo que o caminho seja bom, porque no meio do caminho pode descobrir que ele não tem nada a ver com você.

Muitos casamentos desfeitos, jamais teriam sido iniciados se o casal soubesse para onde quer ir. O encontro de dois perdidos até tem certa afinidade, mas não tem liga, nenhum dos dois sabe o que quer.

Descobrir onde quer ir é importante para tudo na vida, inclusive para definir sua carreira. É possível ganhar dinheiro e sentir-se realizado se trabalha no que gosta.

Nada de ficar correndo por aí atrás de um chefe (coelho) atrapalhado, que pode levar sua carreira por um caminho indesejado.

Felicidade não é utopia, felicidade é ter tudo o que precisa na hora em que se precisa. Mas para isso você tem que saber o que precisa.

O que mais vemos por aí são pessoas que têm tudo o que precisam, mas não sabem disso e por isso carregam uma infelicidade sem fim. Daí vem aquela célebre frase de que “dinheiro não traz felicidade”.


De fato, nada traz felicidade, se você não sabe o que quer. «

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Quem gostou, bate palmas!

O carrinho onde eu estava subiu devagar, ao chegar ao topo eu vi muitas pessoas com os braços erguidos, de repente uma descida vertiginosa e veloz, parecia que não terminaria nunca, meu grito agudo se uniu aos demais. Fechei os olhos, segundos depois, quando os abri, eu tive a sensação que o carrinho ia sair dos trilhos numa curva, onde eu pude ver nitidamente a rodovia, onde passavam os carros tão pequenos. Várias subidas, descidas e curvas em alta velocidade, o alívio, uma voz que dizia: "quem gostou, bate palmas".

Saí com as pernas trêmulas do Montezum, a quinta maior montanha-russa feita em madeira no mundo, localizada no Hopi Hari, tem velocidade superior a 100 km/h.


A vida faz algo muito parecido conosco, e como na montanha-russa não adianta fecharmos os olhos ou gritarmos, vamos passar por todo o trajeto. E, suspeito que ao final vamos encontrar o Criador dizendo: "quem gostou, bate palmas".
A vida é uma montanha russa. Have Fun!

Você vai desejar sair na foto de olhos abertos e sorrindo. Por isso, viva o hoje, prepare-se para as descidas vertiginosas, as subidas lentas, as curvas que quase o jogam para fora, elas vão se repetir inúmeras vezes em graus diferentes de altura.

Você tem duas opções: viver de olhos fechados, ou aproveitar o passeio. Escolha viver o serendipismo de todos os momentos, não feche os olhos e no final bata palmas.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Serendipismo no pensamento criativo

O termo serendipismo ou serendipidade foi criado pelo escritor inglês Horace Walpole, em carta enviada para seu amigo Horace Mann em 28 de janeiro de 1754. Tem origem na palavra serendipity, que se baseia no conto de fadas "Os Três Príncipes de Serendip", que conta a estória de três príncipes que saíram pelo mundo disfarçado de pessoas comuns em busca de algo, enquanto viajavam, faziam descobertas, por acidente e sagacidade, de coisas que não estavam procurando. Serendip ou Serendib é o nome persa do antigo Ceilão, atual Sri Lanka.

Serendipismo ou serendipidade significa fazer descobertas felizes e por acaso, como o pão, o vinho, a lei da gravidade, a penicilina e o velcro. No nosso bom Português, seria atirar no que se vê e acertar no que não se vê.

Quando viajamos abertos a novas experiências, provamos do serendipismo, pois somos tomados por descobertas inesperadas e agradáveis ao acaso.

Eu provei do serendipismo em todas as minhas viagens, na primeira grande viagem saí em busca de boas férias e voltei apaixonada. E nenhum conhecimento de anos se equipara ao que aprendi nas minhas viagens.

O serendipismo é a pitada que falta no nosso espírito inovador e criativo, que é estar aberto ao inesperado. Planeje tudo, mas esteja pronto para aproveitar cada dificuldade no seu plano como uma oportunidade para descobrir algo novo.
Aventure-se!
Muitos descobridores e inventores estavam procurando por outra coisa, quando encontraram algo inesperado e mais valioso, é o caso de Cristóvão Colombo que encontrou a América quando buscava um caminho mais curto para a Ásia.

Partindo do princípio de que o pensamento é uma forma de viagem, John Adair em seu livro "The art of creative thinking" nos lembra que o serendipismo vai contra o pensamento de foco estreito, quando você concentra sua mente sobre um objetivo ou meta para a exclusão de todo o resto. Ele o convida a ter um foco aberto de atenção, aberto o bastante para notar algo de significante mesmo que aparentemente seja irrelevante ou inútil para você no presente.

Olhando para seu passado, creio que você pode perceber os efeitos do serendipismo, tente identificar três ocasiões em que você não estava esperando e descobriu algo ou conheceu alguém que se revelou importante na sua vida.Pronto para o inesperado?