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terça-feira, 24 de março de 2015

Solução de Conflitos

Um conflito nada mais é do que um impasse entre duas partes, e a melhor solução está na negociação.

O grande dilema de qualquer conflito está no fato de que as duas partes acreditam ter razão no que desejam e não aceitam ceder.


Foi assim com as duas mães que pleitearam o mesmo filho ao Rei Salomão, e continua assim entre israelenses e palestinos que ainda pleiteiam o mesmo território.

No primeiro pleito, o Rei Salomão sentenciou dividir a criança ao meio, ambas as mães perderiam. Então, uma das mães aceitou a sentença, e a outra abriu mão da criança. Foi quando o rei mudou a sentença dando a criança à mãe que abriu mão dela, pois somente a verdadeira mãe seria capaz de sacrificar seus desejos em razão do bem estar da criança (se não conhece a parábola, leia na Bíblia Online 1Rs 3:16-28).

No segundo pleito, não existe um árbitro em que ambas as partes confiem e respeitem, e, como as duas partes não aceitam ceder só existe a saída da negociação, pela qual o mundo inteiro aguarda com interesse.

Seja no Oriente Médio, na ONU, no Palácio do Governo, na sua empresa ou na sua vida pessoal, na negociação para solução de um conflito não podem ser ignorados os valores e crenças das pessoas para determinar as alternativas.

Numa negociação o mais importante é chegar à uma solução “win-win”, onde ambas as partes saem ganhando. Para isso alguns valores e crenças devem ser considerados na tomada de decisão:

Gerar resultados e não apenas obtê-los


Isso significa que os processos precisam ser melhorados para obter resultados, dessa forma o resultado promove inovações no processo, e proporciona projeções futuras.

É o caso de ensinar a pescar ao invés de dar o peixe. Ao dar o peixe, o resultado de calar a fome de uma pessoa é alcançado, mas só naquele momento; ao passo que se a pessoa aprender a pescar ela nunca mais necessitará que lhe deem o peixe e terá condições de alimentar a si própria e a mais pessoas, ou seja, a solução gera resultado contínuo.

Equilibrar as motivações intrínsecas e extrínsecas, ao invés de dar foco apenas às extrínsecas


A motivação intrínseca de uma pessoa vem da sua alegria de fazer algo, ela é inata e libera a energia para melhorar e inovar os processos.

Já a motivação extrínseca de uma pessoa vem do seu desejo por recompensa ou do medo de punição, por esse motivo dependendo do ambiente de julgamento e policiamento pode até se restringir a motivação intrínseca. É o caso de empresas em que o assédio moral é amplamente praticado ou as regras causam insegurança e desconfiança nos funcionários.

Ambientes mais leves e alegres levam as pessoas a experimentar a motivação intrínseca, bem como as pessoas que realizam as atividades às quais sentem-se adequadas.

Promover a cooperação


Isso significa que se o objetivo não é ganhar, deve-se promover a cooperação ao invés da competição.

Por exemplo, se dois times de futebol jogam entre si, o objetivo é vencer, então a competição faz sentido entre os times. No entanto, dentro de cada time o objetivo é trabalhar em equipe, neste momento a competição dá lugar à cooperação, onde os jogadores compartilham técnicas e aproveitam as habilidades de cada um em táticas de jogo.

É comum nas empresas promover competição entre seus vendedores para melhorar as vendas, o que é uma tática equivocada, pois o objetivo desses vendedores deveria ser de cooperar entre eles, compartilhando dicas e técnicas de venda, e não competir entre eles, sufocando a cooperação e o compartilhamento de informações. Um ambiente competitivo dissolve o espírito de equipe, o que representa um prejuízo enorme para as empresas a longo prazo.

Otimizar o todo e não apenas uma parte


Uma empresa é composta por processos, subprocessos, atividades e principalmente por partes interessadas, algumas partes interessadas são investidores, clientes, funcionários, departamentos, fornecedores, subcontratados, reguladores, a comunidade e o meio ambiente.

Qualquer tentativa de otimizar um desses componentes em detrimento dos demais, corrói seriamente o desempenho geral da empresa. Por exemplo, quando os investidores exigem um enxugamento do quadro de funcionários em um ano lucrativo, ou quando o departamento de marketing exige maiores investimentos que poderiam ser melhor utilizados na melhoria dos produtos.

Boa Negociação: gera resultado, equilibra motivações, promove cooperação, otimiza o todo.

Perceba que esses quatro valores e crenças fornecem uma melhor perspectiva para negociar sobre os conflitos e cria oportunidades para desenvolver soluções "win-win".


Perceba, também, que o pano de fundo está no processo, que nada mais é do que a forma como você, sua empresa, seu governo ou a sociedade em geral produz algo. Se o seu processo é conhecido e melhorado conforme as necessidades e as oportunidades que se apresentam, tendo por base esses quatro valores e crenças, muitos conflitos são evitados. E, quando surgem, são solucionados com muito mais facilidade. Transparência e agilidade, meu caro leitor! «

domingo, 4 de janeiro de 2015

Gestão por Processos: mudança de dentro para fora

A gestão por processos pode ser tanto muito simples e transparente como complexa e obscura. 

Tenho a tendência de simplificar tudo, portanto demorei para entender porque a maioria dos profissionais da área tendem a ir para o lado negro da força.

Quando finalmente cheguei ao âmago da questão, percebi também porque a maioria das empresas abandona a gestão por processos ou não lhe dá o devido valor.

Sempre questionei a qualidade dos arquitetos de processo, porque ao observar a qualidade dos processos mapeados, eu notava o mal uso da técnica. O resultado me detinha, e portanto eu não me aprofundava na questão tanto quanto deveria.

Até que percebi que tais profissionais não tiveram a oportunidade de entender qual o sentido do que estão fazendo. Isso mesmo, é algo tão óbvio que nunca é comentado.

Pausa para reflexão: Por quê mapeamos processos?



Resposta mais comum: Para produzir produtos ou serviços e satisfazer nossos clientes.

O senso comum diz que essa resposta está “certa”, do meu ponto de vista, somente se você pretende desperdiçar dinheiro e esforços.

Observe que eu perguntei sobre o porquê, ou seja, quero saber o propósito, a motivação, a faísca, e não o resultado ou o objetivo a ser atingido.

Parece uma questão de semântica, mas é uma questão de aprofundamento. Essa é a hora em que o arquiteto de processos entra em parafuso e me responde que mapeia processos porque o corpo diretivo solicitou. Bom, se o corpo diretivo solicitou, ele pode me responder. Mas o corpo diretivo não sabe, ele está reagindo à concorrência. Se a concorrência está fazendo deve ser prudente fazer também. E o propósito se perde.

No fim das contas, gasta-se rios de dinheiro sem retorno significativo. E, pior, o cliente não fica satisfeito. É como diz o ditado popular: "de boas intenções o inferno está cheio". Infelizmente é possível investir muito dinheiro no seu negócio e causar mais insatisfação ao cliente.

Lembra daquela palavra que venho repetindo há anos? Estratégia.

A gestão por processos só vai ter sucesso, e será simples e transparente, se houver um propósito estratégico para ela.

Que tal aproveitar o início do novo ano fazendo uma reflexão sobre a motivação da gestão por processos em sua empresa?

Particularmente, eu acredito que a gestão por processos, eleva qualquer empresa a um nível superior de destaque no mercado, entretanto é uma mudança e se sua empresa não está preparada para isso, com certeza ela terá mais transtornos do que benefícios.

É como falar sobre o seu assunto preferido para uma plateia que não tem interesse pelo tema, mesmo que você tenha o melhor time de profissionais, nada vai mudar.



A gestão por processos só vai alcançar os resultados esperados se houver o interesse e envolvimento genuíno do corpo diretivo. É uma mudança que ocorre de dentro para fora.

Encontre seu propósito, melhore seus processos e terá o melhor produto do mercado. E isso serve para tudo na sua vida!«

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Timidez

Eu Krika, confesso publicamente que fui muito tímida, lembro de uma vizinha dizendo para a minha mãe que eu jamais conseguiria um emprego por causa da minha timidez.

Mas ela estava enganada, timidez com certeza atrapalha muito o desenvolvimento de alguém, mas tem solução. Deve ser enfrentada.

Se aquela vizinha visse hoje o resultado de uma avaliação da minha personalidade que diz que sou bastante centrada, tenho discurso claro e seguro. Com boa desenvoltura e comunicação. E tudo isso no cara a cara, por meio da escrita fica fácil ter desenvoltura.

Mas eu não estava sozinha, quase metade da população sua frio, gagueja ou dá meia volta diante de uma situação difícil.

Começar uma conversa é um pesadelo, mas o pior de tudo é fazer uma apresentação para uma sala cheia de gente.

Na minha graduação, o trabalho de conclusão era apresentado para toda a sala. Geralmente por grupos, mas eu e uma colega queríamos nos especializar em banco de dados relacionais, e os grupos queriam assuntos mais amenos. Então, conversamos com a professora e recebemos autorização para fazer o nosso trabalho de conclusão como queríamos, mas recebemos uma advertência muito clara dela: “o tema é muito bom, esse trabalho precisa ser excelente”.

Com a prévia dos trabalhos em mãos, ela mudou o rumo das apresentações, teríamos que apresentar no auditório para outras turmas. Eu fiquei sem ação. Minha colega tinha muita desenvoltura, ela falava alto. Meus colegas diziam que eu precisava de um megafone no dia-a-dia. Por aí, você imagina o quanto sofri por antecipação, pensando em como seria o dia da apresentação.

O assunto nós dominávamos, tínhamos feito extensa pesquisa, inclusive com tendência de mercado, os bancos de dados relacionais eram novidade na época. Conversamos com DBA’s para balizar nosso trabalho. Não tínhamos computador pessoal na época, então escrevemos a apresentação à mão, e contratamos uma empresa de digitação, lembro que ficou muito bom para os padrões da época. Lembro que a minha colega se preocupou com a parte visual, e eu com a escrita, o trabalho foi totalmente digitado à máquina de escrever.

Não lembro qual era o software, mas não era PowerPoint, alugamos retroprojetor. As apresentações na época eram feitas em transparências, computador pessoal ainda era um luxo.

O dia da apresentação. 
Eu tremia, e para meu desespero o auditório estava lotado com pessoas sentadas no chão e encostadas na parede, assim que a professora descobriu a parafernália que tínhamos montado para a apresentação, ela entendeu o convite a turmas de outros cursos.

Eu suava frio e tremia. Ai que vontade de fugir, mas daquilo dependia a conclusão do meu curso. Na noite anterior eu havia tido todo tipo de pesadelo de como daria tudo errado.

Eis que a primeira coisa boa daquela noite aconteceu, a Patrícia (minha parceira de trabalho) virou para mim e disse: “Eu não disse nada, mas tenho uma surpresa para você. Eu pedi microfones para nós.”

Eu nem imaginava que tinha microfone, já que os outros grupos não tinham usado.

Você não imagina o alívio que eu senti, a apresentação estava dividida em duas partes, a Patrícia foi a primeira. Assim que a apresentação começou, fez-se silêncio. Nenhum burburinho, risadinha, nada. Ela foi perfeita!

Eu apresentei a minha parte olhando para a parede do fundo, acima da última cabeça que eu enxergava. E apontando a projeção para mostrar os gráficos de tendências.

Mas dava para ouvir minha respiração em algumas partes da apresentação, eu tentava respirar corretamente, mas eu estava realmente trêmula.

Nenhuma risadinha. Nada. Não sei porque, aquilo começou a me parecer que não era bom.

Fim da apresentação. Eles aplaudiram. A professora aplaudiu euforicamente. E veio até nós, tomou o microfone e disse que não divulgava a nota até a avaliação final, mas que no nosso caso ela abriria uma exceção, nossa nota era 10. Ufa!

Aí, um engraçadinho lá do fundo disse: “O microfone foi uma grande idéia, pela primeira vez eu ouvi a voz da Krika”. Um cômico, ele sentava do meu lado na sala de aula! As maçãs do meu rosto queimavam.

Você pode estar rindo da minha estória, mas ela realmente aconteceu comigo, e todas as paranóias, medos, suor, pernas bambas, acontece com quase metade da população.

A timidez faz isso com a gente, e se cedemos a ela não enfrentamos nada. Ter enfrentado e sobrevivido a essa situação, foi um dos primeiros passos para vencer a timidez.

Eu percebia que quanto mais eu me sentia segura, mas desenvoltura eu ganhava. Com certeza eu faria uma apresentação muito melhor agora.

Você é um grande comunicador! Basta que acredite nisso.
Na primeira semana, em uma empresa eu tive que fazer uma apresentação sobre as análises preliminares de um problema para os principais coordenadores sem conhecê-los. Muito pior do que não conhecê-los era que eu podia estar tocando em pontos sensíveis, em geral quando se fala em problema, as pessoas instintivamente procuram por um culpado e reagem de forma negativa. 
Que bom que eu superei a timidez, eu não senti as maçãs do rosto queimar, minhas mãos não suaram, minhas pernas não tremeram, pude olhá-los nos olhos enquanto fazia a apresentação. Até quebrei o gelo da situação, mostrando possíveis soluções e envolvendo-os no assunto de forma participativa.

Se eu consegui, você também consegue. Em geral, travamos porque não nos sentimos seguros sobre o assunto, portanto estude com afinco o assunto, esteja preparado para os questionamentos, quanto mais claro e preciso você puder ser menos dúvidas gera nas pessoas, mas elas confiam em você.


Apresente-se, isso aumenta a sensação de intimidade. 

A falta de reação do interlocutor a um assunto não significa rejeição a você, mas ao assunto, portanto escolha outro assunto de interesse comum, ou mude a abordagem. Quando eu explico algo, eu procuro usar exemplos ou faço analogias com elementos do cotidiano das pessoas presentes. 

Não responda por monossílabos (sim, não, etc.), tente dar informações pessoais para criar empatia. 

Preencha os silêncios, faça perguntas ou comentários.


É como dizem, quem tem boca vai à Roma.  «

quarta-feira, 27 de maio de 2009

O que eu vou ser quando crescer?

Independente do lhe aconteça procure enxergar longe.

Não seja como um garçom preocupado somente com as gorjetas sem dar atenção ao que acontece ao redor, dessa forma perde-se a oportunidade de aprender tudo o que puder para que um dia se torne dono de um restaurante.

Qual o seu objetivo? Hum... Deixe-me ver.. Já sei! Ser uma Chef famosa.
Por isso é tão importante investir em cursos de idiomas, especializações, pós-graduacao; são meios para prepará-lo para ir mais longe.

A receita para o sucesso é mais simples do que se pensa, ele vem da competência, disposição para o trabalho e sorte. A competência você adquire estudando e aprendendo como os profissionais mais experientes. E as empresas não têm interesse pelo profissional competente, mas preguiçoso.

Sorte está relacionada à maneira como encaramos as situações. Nem sempre uma situação ruim é o fim, pode ser o começo do seu sucesso. É comum dizermos que alguém teve sorte em algo, mas imagina se a pessoa estivesse no lugar certo mas sem o preparo adequado, nada aconteceria, não é mesmo?

Pense “fora da caixa”, analise a situação por outros ângulos, afinal você investiu em aprendizado e trabalhou arduamente até aqui. Portanto, tenha autoconfiança, você está preparado. Mantenha o foco nos seus objetivos, eles norteiam a sua trajetória quando estiver confuso. E sempre tenha muita persistência, como Ayrton Senna da Silva dizia:


“Seja você quem for, seja qual for a posição social que você tenha na vida, a mais alta ou a mais baixa, tenha sempre como meta muita forca, muita determinação e sempre faça tudo com muito amor e com muita fé em Deus, que um dia você chega lá. De alguma maneira você chega lá.”  «

terça-feira, 26 de maio de 2009

Você não merece um chefe tirano

Não confunda assédio moral com um momento de estresse. Quando estressado o seu chefe não terá a intenção maldosa que o assédio moral pressupõe. Pois nele existe a vontade de destruir o colega, atingindo-o em seus pontos fracos por meio de pequenas agressões repetidas ao longo do tempo. Sempre muito sutis e veladas elas provocam na vítima uma confusão que a leva a se julgar incapaz e por isso perde a autoconfiança.

O que leva um chefe a assediar moralmente um subordinado? Como estamos tratando da natureza humana, em geral é por ciúmes e rivalidade, para esconder a própria incompetência. Em alguns casos, ele também está sendo assediado pelo seu superior e está descontando da mesma forma no seu subordinado.

O que percebemos é que o assédio moral é mais comum em empresas com problemas de gestão, elas atiçam a produtividade por meio de competição interna, usando seus profissionais como objetos, pressionando-os constantemente a serem mais produtivos e descartando-os em qualquer oscilação econômica.

Quando a alta direção de uma empresa tem esse comportamento cínico, passa uma mensagem implícita de autorização para esse tipo de ação pelos chefes.

Não estou dizendo que os profissionais não devam ser produtivos, e sim que as empresas devem ter uma abordagem clara e objetiva a respeito de seus funcionários, coibindo abusos de tal natureza, apesar de serem criminosos eles ainda corroem a vitalidade da empresa. Não é lucrativo para ela.

A sociedade ainda não abriu completamente os olhos para esse problema, muitas pessoas assediadas moralmente trocam de emprego, ou por iniciativa própria ou por demissão, mas poucas se dão conta de que houve danos psicológicos que podem afetá-las por muito tempo. Sem o devido acompanhamento médico, toda a carga emocional negativa estará de volta na primeira situação de estresse.

Sintomas de Assédio Moral
Imagem baseada nos dados de Assédio Moral no Trabalho.
A psicanalista francesa Marie-France Hirigoyen narrou que uma mulher se jogou da janela de onde trabalhava e o fato foi considerado apenas como um acidente de trabalho. Ela vinha sendo assediada moralmente por um chefe, denunciou à direção, mostrou atestados que comprovava os prejuízos a sua saúde e nada foi feito. Em um dia que ela foi muito humilhada, atirou-se da janela. Não morreu, mas ficou paralítica.

Assédio moral é algo muito grave e atualmente atinge os jovens, devido ao modelo excessivamente competitivo de nossas escolas. Acho que você já deve ter visto nos noticiários casos em que um adolescente se arma, vai para a escola e se vinga de todos os seus colegas.

Enfim, o assediado deve parar de se corroer, ele deve procurar ajuda e voltar à vida normal. Mas melhor do que tratar é prevenir. E só podemos nos prevenir reconhecendo quando ocorre um assédio moral.  «

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Coaching: será a recuperação dos relacionamentos?

Por que a maioria dos casais antigos tinha mais sinergia do que os casais da nossa geração? Por que os profissionais do passado tinham mais comprometimento com as empresas em que trabalhavam?

Falar do passado é sempre complicado, pois falamos de coisas que vimos em fotografias, lemos ou ouvimos de relatos nostálgicos, daí tudo parece ser tão perfeito, quando nem sempre foi.

Mas mesmo em uma análise superficial posso dizer que a grande mudança está nos relacionamentos, sejam pessoais ou profissionais. No passado que antecedeu a geração dos meus pais, eles se baseavam em confiança, a maioria dos casais vivia em sinergia e os profissionais permaneciam por toda uma vida em uma empresa, simplesmente por confiarem.

Os papéis eram bem definidos, tão definidos que as pessoas sentiram-se oprimidas e romperam com eles.

Infelizmente nesse rompimento a confiança se perdeu. Quem atualmente em sã consciência fecha negócio sem um bom contrato? Até os casamentos podem ser feitos com contratos pré-nupciais.

As empresas na busca por inovação e criatividade, descobriram que quando seus colaboradores mantêm relações de confiança dentro da organização, eles se comprometem e contribuem de forma proativa.

É daí que se origina a preocupação com o coaching para executivos, tornou-se um modismo, então as empresas implementam, mas como já foi dito várias vezes tudo que é feito sem objetivo, torna-se vago e sem sentido.

Um coaching bem feito com o intuito de aproximar os objetivos pessoais do profissional com os objetivos da empresa, estreitando os laços de comprometimento e parceria; só é possível quando há, da empresa para o profissional, o respeito que estabelece a confiança necessária.

Confiança é o impulso de um relacionamento feliz.

A confiança dentro das organizações não será mais como no passado, onde um colaborador passava anos em uma mesma organização. E também não é lucrativo para a empresa um quadro de profissionais mercenários, prontos a abandonar o barco a qualquer aceno com notas de dinheiro.

Por isso as empresas saíram a procura de meios de mostrar que elas têm planos de longa parceria com seus colaboradores. E agora toda a empresa tem também a missão de estabelecer a confiança dentro e fora da organização. «

domingo, 10 de maio de 2009

Produza Resultados

O que eu sei é que todos nós queremos produzir resultados. Queremos algo. Se você não tem o que deseja na vida, jamais se sentirá feliz de verdade.

Negue isso se quiser. Brinque sobre isso para se sentir melhor. Pode fingir que o que deseja não é importante, mas isso não mudará o fato, seu desejo continua lá para ser lembrado todos os dias.

Somos insatisfeitos por natureza, você sempre dirá a si mesmo: “Ei, você poderia fazer melhor!”

Finalize um projeto, realize um sonho e no dia seguinte estará pronto para começar outro ainda mais audacioso.

Precisamos de projetos, sonhos, metas e objetivos como desculpas para realizar algo. Desafiamos a nós mesmos. Queremos produzir resultados.

Não paramos na descoberta do fogo ou na invenção da roda; fomos à Lua, mandamos mensagens ao espaço e brincamos com um acelerador de partículas.

Quanto mais resultados nós produzimos, mais desejamos produzir.

A partir dessa insaciabilidade, podemos criar qualquer coisa que desejamos, passamos por cima do esforço e do trabalho necessário.

Quantas quedas até criar a primeira bicicleta, quantas loucuras até o primeiro vôo.

Encontre seu meio para chegar onde deseja.Produza seus resultados, desafie-se com metas.  «

quarta-feira, 8 de abril de 2009

A maternidade nas empresas

Você acredita mesmo que trabalhar além das 8 horas diárias faz de você um profissional melhor?

Por mais que você goste das horas que passa do trabalho, não é a quantidade de horas que passa lá que são importantes, mas a qualidade.

Outro dia me choquei com a atitude de uma empresa relatada por uma amiga que está terminando a licença maternidade, ela me disse o seguinte:
“Krika, sempre fiz tudo o que a empresa me pedia, trabalhava aos domingos, ficava até mais tarde, era responsável por vários projetos. Agora está acabando minha licença maternidade e é comum os pediatras darem mais 15 dias de licença para amamentação. As empresas já estão acostumadas com isso! Então, falei com meu chefe sobre isso, ele ficou louco, disse que não podia aceitar, porque eu preciso começar um projeto que já está atrasado. Sinto-me injustiçada, pois sempre fiz o que pediram, agora que eu preciso de um suporte eles me negam.”
Como eu já disse em outros posts, a atitude dos líderes reflete para os liderados as atitudes da empresa, eles enxergam que a empresa é conivente com essas atitudes.

Logo se vê que ao líder faltou jogo de cintura para negociar, ela é um profissional que sempre contribuiu, eles atuam com serviços de TI, muitas empresas de TI podem trabalhar em esquema Mobile, ou seja, o profissional pode fazer por meio de uma conexão com a empresa alguns trabalhos de casa. O problema dela é apenas conciliar a amamentação com o trabalho, seus talentos profissionais continuam intactos.

Para isso o líder tem várias alternativas, desde montar um esquema provisório para que ela trabalhe remotamente, até uma redução de horas de trabalho, por um período pré-determinado.

É sabido que a forma de trabalho da mulher após a maternidade muda, e de forma positiva, ela fica mais ativa, mais determinada, menos prolixa, mais assertiva, mais focada em resultados imediatos, como ela quer ter tempo para o bebê, ela vai querer cumprir a hora de trabalho contratada (8 horas diárias), e será mais produtiva dentro desse período.


Empresas que pretendem ter essas mães mais voltadas para o lado profissional precisam dar amparos pessoais, por isso algumas criam creches dentro da empresa, onde a mãe pode visitar em determinados horários e amamentar o bebê, elas se sentem mais confortáveis e seguras, uma vez que a empresa cuida do seu bem mais precioso. 

Não há como ter um profissional mais dedicado do que esse! «

domingo, 5 de abril de 2009

Reação em cadeia

O profissional que você é hoje começou a se formar no passado, e o profissional que você quer se tornar no futuro pode começar hoje.

Acho que você já deve ter ouvido de várias formas que a vida é feita de escolhas, portanto as relações que você cria pessoal ou profissionalmente, dependem delas. Quando falo em escolha, não falo apenas de escolher ganhar mais, ter mais poder, ser dono de coisas caras, mas de sentir-se bem com a escolha feita, e, principalmente, vivê-la sem ressentimentos.

É inevitável que a escolha traga alguns percalços, mas eles podem ser o seu saldo positivo no futuro.

Um episódio que aconteceu quando eu ainda fazia estágio na área de TI, determinou várias das minhas escolhas.

Tínhamos um treinamento, e a sala de treinamento estava trancada, um dos analistas perguntou: “Mas ninguém tem o backup da chave?”

Que backup é cópia de segurança eu sabia, mas não achei apropriado para ser usado ao se referir a um objeto físico, faz mais sentido para dados e software, naquele momento eu tomei a decisão que eu jamais seria um profissional que não soubesse me comunicar com o mundo exterior.
Existem muitos profissionais bons, mas que não sabem nada além daquele mundo em que vive, e nem sabem traduzir seus conhecimentos para as pessoas que desconhecem aquela realidade.

Hoje percebo que um profissional deve evitar certas atitudes que bloqueiam seu desenvolvimento. Muitos criam bloqueios profissionais, e não se interessam por nada que esteja além de sua área. Um profissional deve sempre buscar especializações dentro da sua área, mas o cruzamento com outras áreas traz um enriquecimento muito importante para o seu trabalho. Todos os profissionais que alcançam esse nível obtêm sucesso, pois descobrem novos nichos para sua carreira.

Outro bloqueio é o da imaginação, geralmente uma nova idéia ou novo produto não é perfeito na concepção, mas muitos profissionais olham para eles com um olhar de crítica, e logo os descartam. O que aconteceria se olhassem para o potencial ou para o que pode ser melhorado?

Toda idéia que é criticada, passa por um bloqueio emocional, faz com que seu idealizador se desmotive para novas idéias, cada vez mais as empresas pedem por inovação, querem em seu quadro de profissionais os mais capacitados, mas incentivam repressões e bloqueios, quando um líder não tem habilidades para extrair o melhor de seu pessoal.


O objetivo atual da empresa pode não comportar essa idéia nova, neste caso eu sugiro que tais idéias sejam armazenadas, algumas estão muito a frente do seu tempo, ou necessitam de uma lapidação. Todas as pessoas inovadoras possuem um leque de idéias, e não param na primeira. Alimente-as com a motivação adequada e vai se surpreender com o resultado.  «

quinta-feira, 26 de março de 2009

Líder apaixonado

Nada substitui a paixão, ela não pode ser fabricada e nasce de nossas crenças profundamente enraizadas.

Pense sobre algo ou alguém por quem você é apaixonado, agora se imagine falando disso. Aposto que seria capaz de falar horas sobre o assunto, e faria com que o objeto de sua paixão parecesse único e precioso.

Tive um namorado que dizia que eu não tinha idéia de como eu ficava vívida e interessante, quando falava das minhas viagens.

Apaixonado pelo que fazPaixão. É exatamente isso que falta na maioria dos líderes. Paixão pelo que faz entusiasma seus liderados e provoca, também neles, paixão pelo que fazem.

Um líder deve inspirar seus liderados, mas se você não acredita no que faz, certamente não terá esse poder pessoal tão comum nos grandes líderes. «

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Você é o grande conselheiro

Tenho um amigo apreciador de bons restaurantes e bons filmes, costumávamos sair e compartilhar esses momentos com boas conversas.

E ele adotou-me como sua conselheira. Em uma dessas vezes, dei meus conselhos, disse tudo o que pensava sobre o assunto e acrescentei: "Agora sabe o que penso sobre isso, acredito que deve saber o que os outros pensam também, pondere e descubra o que você pensa e fique com isso. Se o que você pensa for diferente do que os outros pensam, e ainda assim fizer sentido para você, essa é a coisa certa a se fazer".

Ele riu e disse: "Krika, como você consegue? Venho buscar uma resposta e por fim descubro que ela está comigo, mesmo depois de você tê-la me dado, você me diz que tenho a melhor resposta possível."

Confie em si mesmo


Nós sempre sabemos a resposta, o que buscamos é respaldo, tememos que a nossa resposta não fosse apropriada.

Meu amigo alcançou o que desejava quando ele ouviu a si mesmo. Faz anos que não me pede conselhos, adquiriu uma autoconfiança formidável.

Fico feliz quando alguém se encontra consigo próprio e tem prazer em se conhecer. Eis um encontro feliz!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Quem gostou, bate palmas!

O carrinho onde eu estava subiu devagar, ao chegar ao topo eu vi muitas pessoas com os braços erguidos, de repente uma descida vertiginosa e veloz, parecia que não terminaria nunca, meu grito agudo se uniu aos demais. Fechei os olhos, segundos depois, quando os abri, eu tive a sensação que o carrinho ia sair dos trilhos numa curva, onde eu pude ver nitidamente a rodovia, onde passavam os carros tão pequenos. Várias subidas, descidas e curvas em alta velocidade, o alívio, uma voz que dizia: "quem gostou, bate palmas".

Saí com as pernas trêmulas do Montezum, a quinta maior montanha-russa feita em madeira no mundo, localizada no Hopi Hari, tem velocidade superior a 100 km/h.


A vida faz algo muito parecido conosco, e como na montanha-russa não adianta fecharmos os olhos ou gritarmos, vamos passar por todo o trajeto. E, suspeito que ao final vamos encontrar o Criador dizendo: "quem gostou, bate palmas".
A vida é uma montanha russa. Have Fun!

Você vai desejar sair na foto de olhos abertos e sorrindo. Por isso, viva o hoje, prepare-se para as descidas vertiginosas, as subidas lentas, as curvas que quase o jogam para fora, elas vão se repetir inúmeras vezes em graus diferentes de altura.

Você tem duas opções: viver de olhos fechados, ou aproveitar o passeio. Escolha viver o serendipismo de todos os momentos, não feche os olhos e no final bata palmas.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Exercite a humanidade

"Nós aprendemos a voar como os pássaros, a nadar como os peixes, mas não aprendemos a conviver como irmãos." - Martin Luther King
Eu sempre cultivei o hábito de colocar as minhas decepções em um papel. Quando eu era adolescente algo que eu tinha escrito foi parar nas mãos de uma colega que abriu minha mochila, ela leu aquilo em voz alta e ridicularizou meus sentimentos diante da turma.

Não foi imediatamente, mas nos tornamos grandes amigas.

Talvez o que ela tenha ridicularizado nas minhas palavras fosse algo que ela compartilhasse secretamente comigo. Não é fácil encararmos nossas falhas, nossos sentimentos amargos, mas isso faz parte do que somos.

Ter sentimentos amargos, sentir dor, sentir-se fraco, não é vergonhoso, nem o fim do mundo, desde que você não prejudique ninguém, é seu direito chorar.

A pior coisa que alguém pode dizer nesse momento é que não se deve chorar, que isso é bobagem. Dizer tais coisas é como dizer que a pessoa não é digna de sentir a dor. Em minha opinião a dor nos fortifica, e senti-la nos prepara para todas as dificuldades. Não recomendo a ninguém tentar se anestesiar.

Pode ser que ao final do processo a pessoa descubra que não era nada. Mas enquanto dói se você quiser ajudar, abrace, e se for inevitável dizer algo, diga que entende. E se não puder entender, realmente não diga nada.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Seu líder não erra?

Levante a mão aquele que nunca errou! Se eu pudesse ver além dessa telinha, suponho que não veria nenhuma mão levantada.

Não sei qual é sua religião e nem é meu intuito discutir o assunto, mas eu gosto muito das histórias contadas sobre Jesus, e é inegável que ele era um bom líder, ele conseguiu reunir pessoas tão diferentes em torno de uma causa tão difícil de se explicar até hoje, como crer em algo que você não viu acontecer?

É esse o desafio dos líderes atuais, que contam com alguns subterfúgios mais atraentes para atrair seguidores, afinal de contas você não entra em uma empresa apenas pelas lindas palavras do seu recrutador. A empresa precisa ter um pacote de benefícios; oferecer boas condições de trabalho; o ambiente agradável; ter jornada de trabalho pré-estabelecida; você deve ter direito a férias; e ser remunerado de acordo com o mercado em que atua.

Entretanto, quando Jesus viu uma mulher adúltera que ia ser apedrejada até a morte, conforme o costume punitivo da época, ele não se colocou na frente da mulher, não agrediu aquelas pessoas, ele os fez pensar, proferindo palavras simples: “atire a primeira pedra aquele que nunca pecou”. E as pessoas largaram suas pedras e dispersaram.


Quem nunca teve um líder que em um momento de crise, perdeu a compostura?


Eu passei por uma experiência que me ensinou muito, estávamos em um projeto, e lembro que passei uma tarde discutindo com a líder do projeto sobre uma data, o campo de data seria uma das chaves de acesso. A data que ela queria que fosse colocada, era uma data sem grande importância para o cliente, não fazia sentido para o cliente pesquisar a data em que a informação entrou no sistema, mas sim a data do empréstimo, a informação de quando entrou no sistema no meu entender era secundária. Mas enfim, minha líder tinha ido às reuniões com o cliente e afirmou veementemente que a data era aquela, segui suas orientações à risca.

Ela foi apresentar uma prévia ao cliente, e voltou soltando fogo pelas narinas. Disse que tinha passado vergonha, elevou o tom da voz dizendo em alto e bom som o quanto eu era ncompetente ao usar a data errada como chave, eu argumentei calmamente dizendo a ela que tínhamos discutido o fato anteriormente, e ela me garantiu que a data era aquela.

Aí ela surtou, disse que se eu não tinha competência para arrumar o meu erro, ela iria passar a noite na empresa, mas iria corrigir aquilo. Nesse momento eu me calei, e comecei a verificar o que daria para ser feito. Cinco minutos depois, ela pegou a bolsa e foi para casa, esquecendo a promessa infantil de corrigir ela mesmo o problema.

Eu nunca disse que não iria ajustar o problema, mas eu também não documentei as informações que ela tinha me passado. Enfim, ajustei o sistema no dia seguinte, não tinha necessidade de ninguém passar a noite na empresa, ela apresentou uma prévia ao cliente, estávamos dentro do prazo.

Passei a documentar toda a informação que eu recebia sobre o sistema, e pedia o de acordo com e-mail copiado para toda a equipe.

Ao final do projeto, algo inusitado ocorreu, foi feita uma reunião de feedback, que ela jamais tinha feito antes, mas o intuito dessa reunião era dizer que toda a equipe tinha se superado menos eu. Que eu tinha cometido um erro gravíssimo.

Saí da reunião sem entender bem o que tinha sido aquilo, meu erro não foi grave, e o meu desempenho tinha sido equivalente aos demais. Um colega me chamou de lado e disse: “Krika, não ligue para isso, ninguém na equipe é bobo, todo mundo sabe a verdade, no fim das contas ela está passando o recibo de incompetente”.

E foi incrível que quanto mais ela tentava sufocar meu talento, mas ele aparecia e melhorava, eu passei a ficar alerta com todos os detalhes, a me precaver confirmando as informações, documentando-as.

Eu lançava mão de técnicas que muitas vezes não usamos, eu especificava o sistema, e recorria aos testes de mesa, quando o sistema era codificado, era menos susceptível a erros de especificação. Eu dedicava mais tempo analisando risco e testando do que especificando. Os resultados eram muito melhores. Claro que não fui promovida sob a liderança dela, mas eu consegui mudar de equipe, e a promoção veio com facilidade.

Eu mando. Você obedece. (Seu chefe?)
Se eu posso dizer algo sobre erros é que eles nos ensinam muita coisa, todo mundo erra, alguns assumem, outros jogam a culpa nos outros, o que é uma pena, poderiam crescer muito assumindo o erro.

Bom, mas erros não devem ser repetidos, portanto planeje bem o que vai fazer, certifique-se de todos os detalhes, ouça sua intuição, muitas vezes desconfiamos de algo, mas insistimos em fazer daquela maneira, saiba que nem tudo é erro, existem imprevistos e, em certos casos, vai ter que improvisar uma solução, corrija seus erros rapidamente, sem escondê-los.

Felizmente as empresas estão mudando, e líderes que se achavam os donos da verdade estão com os dias contados, mesmo porque para ser líder precisa haver liderados, e como disse meu colega, as ações do líder são vistas por todos.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Seu cérebro trabalha por você

Ontem eu pedi ajuda ao meu namorado, eu tinha uma questão sobre a minha carreira que estava me incomodando.

A princípio ele não entendeu nada, e por isso eu tive que falar sobre todas as variáveis que envolviam a questão, o que me ajudou a ver tudo com mais clareza também.

Ele foi atencioso na medida certa: ouvindo, palpitando, até que apresentou uma sugestão muito simples para a questão. Tão simples que eu não tinha me dado conta dela.

Isso me fez perceber que em certos momentos estamos tão envolvidos com a questão que não vemos as soluções mais simples, se isso acontecer com você converse com alguém de sua confiança e a solução pode surgir com muita facilidade.

Eu perdi dias me corroendo com a questão e a resposta estava tão próxima que eu não via.


No início da minha carreira, os programadores passavam noites em claro no Centro de Processamento de Dados, tentando encontrar soluções para bugs do sistema, eu como morava longe acabava indo para casa, dormia, e por muitas vezes sonhava com a solução. Quando não sonhava, assim que eu colocava as minhas mãos no código a solução surgia facilmente. Enquanto os colegas estavam exaustos, eu estava descansada e solucionava o problema.

Por que isso acontecia?

Muito simples, nosso cérebro é uma máquina poderosa, controla todo o nosso corpo. Se você quiser ter uma idéia de como é a nossa atividade cerebral, imagine que os 6,5 bilhões de habitantes do planeta ligam para os números de toda a lista telefônica de suas cidades ao mesmo tempo. Com certeza, nosso sistema telefônico entraria em colapso e as pessoas nem dariam conta de metade da lista telefônica até o final do dia, mas o nosso cérebro faz algo muito parecido através de suas interligações nervosas.

Viu como se considerar incapaz tendo um processador de informações dessa categoria faz de você um mentiroso?
Não perturbe. Gênio trabalhando!
Mas essa máquina poderosa precisa recarregar as energias, e isso acontece durante o sono, todas as funções de atividade do nosso organismo baixam a freqüência e o cérebro organiza tudo o que juntou durante o dia nas gavetinhas certas. Se você não dá esse tempo para o seu cérebro, será como se você tivesse roupas espalhadas pela casa toda, onde você não poderia saber o que está limpo ou não, nem se a roupa é mesmo sua. Ou seja, uma grande confusão.

É por isso que os bebês dormem tanto e aprendem muito rápido, com o tempo não precisamos dormir tanto quanto os bebês, na verdade com o avançar da idade dormimos menos, e até por esse motivo aprendemos com mais dificuldade na idade adulta. Entretanto, podemos contar com o auxílio de outros cérebros, não precisamos saber tudo, apenas perguntar a quem sabe. E se a outra pessoa também não souber, ela pode conhecer alguém que saiba ou ajudá-lo a pensar sobre o assunto.

Mais uma vez recorremos aos instintos onde a união faz a força.

O que é uma equipe se não a união de mentes brilhantes?

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Assédio Moral é crime!

Muitas empresas não sabem, mas podem estar encorajando uma prática criminosa e altamente improdutiva: o assédio moral.

Existe a necessidade das empresas apresentarem resultados, isso é cobrado dos líderes o tempo todo, mas o que alguns líderes acabam encorajando ou eles mesmos praticando é o constrangimento de seus colaboradores.

A forma que cada pessoa lida com o que é considerado “poder” dentro de uma empresa é muito diferente, mas todo o subordinado quando chegar à chefia, fatalmente vai repetir o comportamento de seu chefe, portanto o assédio moral pode se enraizar na forma como sua empresa trabalha.

Empresas que absorvem essa prática perdem seus talentos mais criativos. Embora o assédio moral seja um crime, é muito difícil que um colaborador possa reagir de forma adequada, pois ele é agredido psicologicamente.

Muitos colaboradores passam anos aceitando as humilhações ou até mudam de carreira, acreditando serem incapazes em suas funções. O prejuízo emocional e físico é altamente negativo, esses profissionais estarão mais susceptíveis a doenças e falhas.

De qualquer forma, a prática não é saudável nem para os colaboradores assediados, muito menos para a empresa onde são praticados. Seja em absenteísmo, falhas produtivas, improdutividade e em alguns casos pequenas sabotagens, as empresas estão alimentando inimigos íntimos.


A tirania de muitas empresas pode vir manifestada pelas seguintes posturas:
  • Impor sobrecarga de trabalho;

  • Sonegar informações e criar dificuldades para a realização de um trabalho;

  • Desqualificar as pessoas, não respondendo a solicitações, perguntas, cumprimentos, como forma de menosprezo, humilhação;

  • Desmoralizar o trabalho ou colocar em dúvida a competência das pessoas;

  • Mostrar indiferença pelas condições em que as pessoas trabalham, ou fazer cobranças desmedidas;

  • Exaltar-se nas suas comunicações ao funcionário;

  • Ameaçar constantemente com a possibilidade de desemprego ou demissão.
A ocorrência de assédio tem se tornado tão corriqueira nas empresas que a psicóloga Margarida Barreto, mestre em Psicologia Social pela PUC de São Paulo, caracterizou alguns tipos de chefes:
  • Profeta: vê como um desígnio quase que divino “enxugar” a empresa. Trata as demissões como uma missão que tem que cumprir e se orgulha desta realização.

  • Pit-bull: ataca, é violento e maligno. Tem prazer em humilhar e revela uma frieza próxima ao sadismo ao demitir as pessoas.

  • Troglodita: é áspero, indelicado, rude. É precipitado nas suas decisões, implanta normas e todos devem se submeter ao que impõe.

  • Tigrão: encobre sua insegurança, sua incompetência, agredindo as pessoas. Necessita fazer exibições do seu poder para se sentir respeitado.

  • Mala-babão: promove-se adulando os seus superiores. É controlador e delator dos outros. É uma espécie de capataz moderno.

  • Big Brother: entende que “não é com vinagre que se apanha Moscas”. Torna-se confidente dos seus colegas e usa desta vulnerabilidade para
    expor as pessoas, rebaixá-las ou até demiti-las.

  • Garganta: não enxerga a sua incompetência e tem necessidade de se auto-afirmar o tempo todo. Não admite que subalternos saibam mais do que ele.

  • Tasea (“tá se achando”): esconde seu desconhecimento com ordens contraditórias. Se algum projeto tem sucesso, ele é o responsável; se fracassa, a culpa é dos funcionários, que são incompetentes.

Todo ser humano tem um limite de resistência a situações adversas. Além deste ponto começa-se a observar sintomas de sensibilidade exagerada, crises de choro, baixa auto-estima, pouco nível de tolerância, irritabilidade, pensamentos
negativos, ansiedade, tremores, taquicardia, insônia ou muita sonolência. Estas manifestações interferem no desempenho do trabalho, resultando em queda da produtividade e da qualidade, baixa motivação, medo de tomar decisões, pouca criatividade.

O assédio moral acaba acontecendo e se repetindo em muitas empresas em razão do medo, por parte daqueles que são vítimas, de perder o emprego, pois as denúncias de assédio, em sua maior parte, apontam como autores pessoas hierarquicamente superiores.

Atualmente, movimentos de funcionários que não se intimidam diante do autoritarismo têm levado muitas empresas a rever sua declaração de valores e a coerência das suas atitudes.

Fonte: Gestão do Capital Humano – Coleção Gestão Empresarial – Gazeta do Povo
Diga NÃO ao Assédio Moral
A minha sugestão é que os altos executivos pratiquem o bom exemplo de liderança, mantenham canais isentos de comunicação com seus colaboradores, averigúem todas as denúncias de assédio moral e dê a punição adequada, e se for o caso, dê suporte psicológico aos assediados.
Não é um trabalho simples, mas se for realizado de forma preventiva você terá grandes resultados, pois seus colaboradores responderão de forma positiva ao respeito que a empresa dedica a eles.

Saiba que toda vez que um colaborador é humilhado por um chefe, ele e seus colegas enxergam que a humilhação partiu da empresa, e eles não estão errados nesse julgamento, pois as chefias recebem a delegação de poder, portanto cabe a empresa avaliar de que forma esse poder está sendo utilizado.

Mais informações sobre o assunto em Assédio Moral no Trabalho.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Uma questão de persistência

Na vida recebemos tantos “nãos” que fica difícil acreditar que podemos transformá-los em “sins”.

Sempre que receber um “não”, saiba que é o momento de batalhar mais, e o “sim” virá naturalmente.

Se você recebesse sempre “sim”, que graça teria suas conquistas? Ao passo que se algo lhe foi negado e teve que batalhar para provar que o merecia, sua conquista terá um sabor inigualável.


Na Rússia havia uma garota com um grande sonho: tornar-se bailarina do Balé Bolshoi, ela era graciosa, talentosa e treinava todos os dias.

Um dia ela viu um anúncio de que haveria uma audiência do Bolshoi em sua cidade, ela se preparou intensamente e no dia da apresentação dançou divinamente.

Mas, frente à imparcialidade das feições do Diretor do Balé, ela resolveu lhe perguntar se teria chances, e ele respondeu: “Dificilmente, minha filha, dificilmente...”.

Ela saiu dali desnorteada, triste e jogou fora suas sapatilhas no lixo e nunca mais dançou.

Trinta anos depois, ela era uma professora bem sucedida, e viu outro anúncio do Bolshoi em sua cidade.

Ela foi aguardar aquele Diretor e lhe perguntou por que ele havia dito aquilo, e o acusou de ter destruído seu sonho.

Ele respondeu que ele dava a mesma resposta a todas as bailarinas, aquilo fazia parte do teste, pois mais importante do que ter talento e técnica, ela deveria ser inteligente emocionalmente.
Não abandone seus sonhos















Ou seja, se ela tivesse batalhado pelo “sim”, ela não teria passado 30 anos de amargura e culpando o Diretor do Balé pela destruição de seu sonho, quando ela mesma o jogou na lata de lixo.

Portanto, não jogue suas sapatilhas fora, seja determinado e lute pelos seus sonhos.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Reconstrua seus Paradigmas

Paradigma é um modelo ou padrão estabelecido. Pessoalmente temos os nossos próprios paradigmas, ou porque fazemos determinada tarefa da mesma maneira, ou porque sempre entramos em certos tipos de relacionamentos, ou ainda porque sempre nos damos limites rígidos para nossa capacidade. Enfim, encaro que tudo que se tornou um padrão em nossa vida seja um paradigma.

Fala-se em quebrar paradigmas para inovar, mas existem os paradigmas benéficos.

Como disse Mário de Andrade “ninguém pode se libertar duma só vez das teorias-avós que bebeu durante toda uma vida”.

Por isso, falo de reconstruir paradigmas, o que serve tanto para paradigmas pessoais como corporativos, o tom escolhido aqui é pessoal, porque a reconstrução de paradigmas começa e termina nas pessoas.


A vida é feita de escolhasO meu irmão tem um dom incrível, você discute ferozmente com ele ou ele com você, e 15 minutos depois ele está falando com você como se nada tivesse acontecido. E o engraçado é que ele faz isso com tanta liberdade e naturalidade que você deixa de lado o ocorrido.

Ele sabe perdoar. Ele perdoa a si próprio e ao outro. Perdoar não quer dizer esquecer nem se prostrar diante do outro, mas colocar o ocorrido de lado e recomeçar do ponto anterior, ou do mesmo ponto de forma mais leve, dando chance a si próprio e ao outro de recomeçar. Afinal de contas ele já colocou tudo o que pensava para fora. Meu irmão não se reprime quando coloca para fora o que o incomoda: fala alto, gesticula, diz tudo o que tem a dizer e sai repisando, depois volta calmo e sorridente.

Um sorriso realmente desarma. Quantos relacionamentos teriam dado certo se as pessoas tivessem esse dom!



Se você já leu “O Pequeno Príncipe” de Antoine de Sant-Exupéry, vai se lembrar que ele conta um episódio sobre os baobás, árvores do tamanho de igrejas.

Na verdade é uma metáfora que nos ensina a cuidar dos nossos sentimentos, procurando por medos, preguiças e rancores que como os baobás quando são pequenos são fáceis de serem arrancados, mas quando crescem tornam-se árvores enormes que em um coração tão pequeno quanto o nosso (nosso planeta!) podem sufocá-lo e matá-lo.

Essa higiene interior é tão importante quanto a pessoal que fazemos diariamente (escovar dentes, tomar banho, pentear os cabelos, etc.), e nesse caso podemos chamá-la de perdão.

Por incrível que lhe pareça, é muito mais fácil perdoarmos os outros do que a nós mesmos. O que os outros nos fazem é evidente, mas o que nós mesmos nos fazemos não.

Saiba que neste momento de sua vida, você pode estar sabotando seus próprios sonhos. Quantas vezes você pensou em desistir? Quantas vezes você disse que não era capaz?

Aposto que quando desistiu ou se sentiu incapaz, tratou logo de achar um culpado, e achou um pobre coitado que só deu o empurrão final para você cair. Mas tudo começou com você, você deu oportunidade para que tudo isso acontecesse. Não fez sua higiene corretamente, esqueceu o lado de dentro, e isso é muito pior do que se esquecer de lavar as orelhas.

As primeiras descobertas mais importantes do homem – o fogo e a roda – jamais teriam acontecido se o homem primitivo tivesse um cérebro tão evoluído quanto o nosso. Ele não tinha um senão a acrescentar, tinha apenas que sobreviver.

Ainda temos que sobreviver e talvez em condições terríveis, porque estamos destruindo nosso planeta, simplesmente porque não nos sentimos responsáveis por ele.

Por que vou utilizar o transporte publico se ele vive cheio de pessoas? Quando o governo colocar mais transportes eu uso.

Bom, existe a lei da oferta e da procura, meu caro, use e cobre. É você quem ajuda a eleger os governantes. E não lamente por entrar em relacionamentos frustrados, pois você tem medo de gente, por isso prefere andar sozinho no seu carro. Poderia optar por uma carona solidária, e quem sabe transformar aquele colega de trabalho em um amigo.

Reflita se não é hora de reconstruir seus paradigmas. Reserve um tempo e reconheça quais são seus paradigmas, pense sobre eles, recicle-os, reconstrua-os. Comece aos poucos, pois reconhecendo quem você é de verdade, pode se perdoar.

Verá que tudo ficará mais simples, mais evidente, cuide do seu pequeno planeta (coração), logo estará cuidando de todo o planeta, e terá sucesso nas suas relações de trabalho e afetivas.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Continue esfomeado, continue tolo

Eu sempre gostei de histórias de vida, são oportunidades, exemplos para nossa própria vida, por isso hoje eu escolhi transcrever um discurso motivador, de alguém que experimentou o sucesso, o fracasso, o recomeço, esteve próximo a morte e é apaixonado pela vida.

O discurso é de Steve Jobs, CEO da Apple e Pixar Animations, feito para a turma de formandos da Universidade de Stanford em Junho de 2005.

Ele diz coisas nas quais eu acredito, mesmo sem ter vivido o que ele viveu. Quer você ignore isso ou não, a vida coloca desafios para nós, e coloca os sinais em toda parte, por mais que você ignore o que é preciso aprender, ela faz com que você tropece naquele erro até que você o enxergue e o conserte.


“Estou honrado de estar aqui, na formatura de uma das melhores universidades do mundo. Eu nunca me formei na universidade. Que a verdade seja dita, isso é o mais perto que eu já cheguei de uma cerimônia de formatura. Hoje, eu gostaria de contar a vocês três histórias da minha vida. E é isso. Nada demais. Apenas três histórias.
A primeira história é sobre ligar os pontos.
Eu abandonei o Reed College depois de seis meses, mas fiquei enrolando por mais dezoito meses antes de realmente abandonar a escola. E por que eu a abandonei?
Tudo começou antes de eu nascer. Minha mãe biológica era uma jovem universitária solteira que decidiu me dar para a adoção. Ela queria muito que eu fosse adotado por pessoas com curso superior. Tudo estava armado para que eu fosse adotado no nascimento por um advogado e sua esposa. Mas, quando eu apareci, eles decidiram que queriam mesmo uma menina. Então meus pais, que estavam em uma lista de espera, receberam uma ligação no meio da noite com uma pergunta: "Apareceu um garoto. Vocês o querem?" Eles disseram: "É claro." Minha mãe biológica descobriu mais tarde que a minha mãe nunca tinha se formado na faculdade e que o meu pai nunca tinha completado o ensino médio. Ela se recusou a assinar os papéis da adoção. Ela só aceitou meses mais tarde quando os meus pais prometeram que algum dia eu iria para a faculdade.
E, 17 anos mais tarde, eu fui para a faculdade. Mas, inocentemente escolhi uma faculdade que era quase tão cara quanto Stanford. E todas as economias dos meus pais, que eram da classe trabalhadora, estavam sendo usados para pagar as mensalidades. Depois de 6 meses, eu não podia ver valor naquilo. Eu não tinha idéia do que queria fazer na minha vida e menos idéia ainda de como a universidade poderia me ajudar naquela escolha. E lá estava eu gastando todo o dinheiro que meus pais tinham juntado durante toda a vida. E então decidi largar e acreditar que tudo ficaria OK. Foi muito assustador naquela época, mas olhando para trás foi uma das melhores decisões que já fiz. No minuto em que larguei, eu pude parar de assistir às matérias obrigatórias que não me interessavam e comecei a freqüentar aquelas que pareciam interessantes.
Não foi tudo assim romântico. Eu não tinha um quarto no dormitório e por isso eu dormia no chão do quarto de amigos. Eu recolhia garrafas de Coca-Cola para ganhar 5 centavos, com os quais eu comprava comida. Eu andava 11 quilômetros pela cidade todo domingo à noite para ter uma boa refeição no templo hare-krishna. Eu amava aquilo. Muito do que descobri naquela época, guiado pela minha curiosidade e intuição, mostrou-se mais tarde ser de uma importância sem preço.
Vou dar um exemplo: o Reed College oferecia naquela época a melhor formação de caligrafia do país. Em todo o campus, cada pôster e cada etiqueta de gaveta eram escritas com uma bela letra de mão. Como eu tinha largado o curso e não precisava freqüentar as aulas normais, decidi assistir as aulas de caligrafia. Aprendi sobre fontes com serifa e sem serifa, sobre variar a quantidade de espaço entre diferentes combinações de letras, sobre o que torna uma tipografia boa. Aquilo era bonito, histórico e artisticamente sutil de uma maneira que a ciência não pode entender. E eu achei aquilo tudo fascinante.
Nada daquilo tinha qualquer aplicação prática para a minha vida. Mas 10 anos mais tarde, quando estávamos criando o primeiro computador Macintosh, tudo voltou. E nós colocamos tudo aquilo no Mac. Foi o primeiro computador com tipografia bonita. Se eu nunca tivesse deixado aquele curso na faculdade, o Mac nunca teria tido as fontes múltiplas ou proporcionalmente espaçadas. E considerando que o Windows simplesmente copiou o Mac, é bem provável que nenhum computador as tivesse. Se eu nunca tivesse largado o curso, nunca teria freqüentado essas aulas de caligrafia e os computadores poderiam não ter a maravilhosa caligrafia que eles têm. É claro que era impossível conectar esses fatos olhando para frente quando eu estava na faculdade. Mas aquilo ficou muito, muito claro olhando para trás 10 anos depois.
De novo, você não consegue conectar os fatos olhando para frente. Você só os conecta quando olha para trás. Então tem que acreditar que, de alguma forma, eles vão se conectar no futuro. Você tem que acreditar em alguma coisa - sua garra, destino, vida, karma ou o que quer que seja. Essa maneira de encarar a vida nunca me decepcionou e tem feito toda a diferença para mim.
Minha segunda história é sobre amor e perda.
Eu tive sorte porque descobri bem cedo o que queria fazer na minha vida. Woz e eu começamos a Apple na garagem dos meus pais quando eu tinha 20 anos. Trabalhamos duro e, em 10 anos, a Apple se transformou em uma empresa de 2 bilhões de dólares e mais de 4 mil empregados. Um ano antes, tínhamos acabado de lançar nossa maior criação - o Macintosh - e eu tinha 30 anos. E aí fui demitido. Como é possível ser demitido da empresa que você criou? Bem, quando a Apple cresceu, contratamos alguém para dirigir a companhia. No primeiro ano, tudo deu certo, mas com o tempo nossas visões de futuro começaram a divergir. Quando isso aconteceu, o conselho de diretores ficou do lado dele. O que tinha sido o foco de toda a minha vida adulta tinha ido embora e isso foi devastador.
Fiquei sem saber o que fazer por alguns meses. Senti que tinha decepcionado a geração anterior de empreendedores. Que tinha deixado cair o bastão no momento em que ele estava sendo passado para mim. Eu encontrei David Peckard e Bob Noyce e tentei me desculpar por ter estragado tudo daquela maneira. Foi um fracasso público e eu até mesmo pensei em deixar o Vale [do Silício]. Mas, lentamente, eu comecei a me dar conta de que eu ainda amava o que fazia. Foi quando decidi começar de novo.
Não enxerguei isso na época, mas ser demitido da Apple foi a melhor coisa que podia ter acontecido para mim. O peso de ser bem sucedido foi substituído pela leveza de ser de novo um iniciante, com menos certezas sobre tudo. Isso me deu liberdade para começar um dos períodos mais criativos da minha vida.
Durante os cinco anos seguintes, criei uma companhia chamada NeXT, outra companhia chamada Pixar e me apaixonei por uma mulher maravilhosa que se tornou minha esposa. Pixar fez o primeiro filme animado por computador, Toy Story, e é o estúdio de animação mais bem sucedido do mundo. Em uma inacreditável guinada de eventos, a Apple comprou a NeXT, eu voltei para a empresa e a tecnologia que desenvolvemos nela está no coração do atual renascimento da Apple. E Lorene e eu temos uma família maravilhosa.
Tenho certeza de que nada disso teria acontecido se eu não tivesse sido demitido da Apple. Foi um remédio horrível, mas eu entendo que o paciente precisava. às vezes, a vida bate com um tijolo na sua cabeça. Não perca a fé. Estou convencido de que a única coisa que me permitiu seguir adiante foi o meu amor pelo que fazia. Você tem que descobrir o que você ama. Isso é verdadeiro tanto para o seu trabalho quanto para com as pessoas que você ama. Seu trabalho vai preencher uma parte grande da sua vida, e a única maneira de ficar realmente satisfeito é fazer o que você acredita ser um ótimo trabalho. E a única maneira de fazer um excelente trabalho é amar o que você faz. Se você ainda não encontrou o que é, continue procurando. Não sossegue. Assim como todos os assuntos do coração, você saberá quando encontrar. E, como em qualquer grande relacionamento, só fica melhor e melhor à medida que os anos passam. Então continue procurando até você achar. Não sossegue.
Minha terceira história é sobre morte.
Quando eu tinha 17 anos, li uma frase que era algo assim: "Se você viver cada dia como se fosse o último, um dia ele realmente será o último". Aquilo me impressionou, e desde então, nos últimos 33 anos, eu olho para mim mesmo no espelho toda manhã e pergunto: "Se hoje fosse o meu último dia, eu gostaria de fazer o que farei hoje?" E se a resposta é "não" por muitos dias seguidos, sei que preciso mudar alguma coisa.
Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a tomar grandes decisões. Porque quase tudo - expectativas externas, orgulho, medo de passar vergonha ou falhar - caem diante da morte, deixando apenas o que é apenas importante. Não há razão para não seguir o seu coração. Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir seu coração.
Há um ano, eu fui diagnosticado com câncer. Era 7h30 da manhã e eu tinha uma imagem que mostrava claramente um tumor no pâncreas. Eu nem sabia o que era um pâncreas. Os médicos me disseram que aquilo era certamente um tipo de câncer incurável, e que eu não deveria esperar viver mais de 3 a 6 meses. Meu médico me aconselhou a ir para casa e arrumar minhas coisas - que é o código dos médicos para "preparar para morrer". Significa tentar dizer às suas crianças em alguns meses tudo aquilo que você pensou ter os próximos 10 anos para dizer. Significa dizer seu adeus.
Eu vivi com aquele diagnóstico o dia inteiro. Depois, à tarde, eu fiz uma biópsia, em que eles enfiaram um endoscópio pela minha garganta abaixo, através do meu estômago e pelos intestinos. Colocaram uma agulha no meu pâncreas e tiraram algumas células do tumor. Eu estava sedado, mas minha mulher, que estava lá, contou que quando os médicos viram as células em um microscópio, começaram a chorar. Era uma forma muito rara de câncer pancreático que podia ser curada com cirurgia. Eu operei e estou bem.
Isso foi o mais perto que eu estive de encarar a morte e eu espero que seja o mais perto que vou ficar pelas próximas décadas. Tendo passado por isso, posso agora dizer a vocês, com um pouco mais de certeza do que quando a morte era um conceito apenas abstrato:
Ninguém quer morrer. Até mesmo as pessoas que querem ir para o céu não querem morrer para chegar lá. Ainda assim, a morte é o destino que todos nós compartilhamos. Ninguém nunca conseguiu escapar. E assim é como deve ser, porque a morte é muito provavelmente a principal invenção da vida. É o agente de mudança da vida. Ela limpa o velho para abrir caminho para o novo. Nesse momento, o novo é você. Mas algum dia, não muito distante, você gradualmente se tornará um velho e será varrido. Desculpa ser tão dramático, mas isso é a verdade.
O seu tempo é limitado, então não o gaste vivendo a vida de outro alguém. Não fique preso pelos dogmas, que é viver com os resultados da vida de outras pessoas. Não deixe que o barulho da opinião dos outros cale a sua própria voz interior. E o mais importante: tenha coragem de seguir o seu próprio coração e a sua intuição. Eles de alguma maneira já sabem o que você realmente quer se tornar. Todo o resto é secundário.
Quando eu era jovem, uma das bíblias da minha geração era The Whole Earth Catalog. Foi criado por um sujeito chamado Stewart Brand em Menlo Park, não muito longe daqui. Ele o trouxe à vida com seu toque poético. Isso foi no final dos anos 60, antes dos computadores e dos programas de paginação. Então tudo era feito com máquinas de escrever, tesouras e câmeras Polaroid. Era como o Google em forma de livro, 35 anos antes de o Google aparecer. Era idealista e cheio de boas ferramentas e noções.
Stewart e sua equipe publicaram várias edições de The Whole Earth Catalog e, quando ele já tinha cumprido sua missão, eles lançaram uma edição final. Isso foi em meados de 70 e eu tinha a idade de vocês. Na contracapa havia uma fotografia de uma estrada de interior ensolarada, daquele tipo onde você poderia se achar pedindo carona se fosse aventureiro. Abaixo, estavam as palavras: "Continue com fome, continue bobo". Foi a mensagem de despedida deles. Continue com fome. Continue bobo. E eu sempre desejei isso para mim mesmo. E agora, quando vocês se formam e começam de novo, eu desejo isso para vocês.
Continuem com fome. Continuem bobos.
Muito obrigado a todos.”
- Steve Jobs
Tradução da Revista Você S/A, com alguns retoques.
.Texto original, vídeo do discurso.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Mudança de Rumo

E agora? Para onde eu vou?A nossa capacidade de escolher novos rumos passa por incertezas, medos e ansiedade, por esse motivo muitos preferem não mudar nada, mesmo que estejam frustrados. Mas se você está disposto a se arriscar e enfrentar os desafios comece tendo em mente exatamente o que deseja alcançar com a mudança, e se esse é seu momento de escolher novos rumos, as minhas dicas são:
  1. Sonhe alto, mas não apenas por sonhar, e sim para transformar em realidade. Toque seus sonhos com as mãos!

  2. Distinga sempre o que é importante e o que é urgente, o importante pode esperar o urgente não.

  3. Tenha um plano de recompensas, lembre-se de se recompensar sempre que exigir muito de você, se esperar isso dos outros com certeza vai se frustrar. Proporcione a si mesmo momentos de prazer sempre que atingir um objetivo, e verá que encontrará um grande aliado: você mesmo.

  4. Associe-se a pessoas de arquibancada (aquelas que torcem por você) e distancie-se de pessoas de bueiro (aqueles que o colocam para baixo).

  5. Confie no seu potencial, mesmo que o mundo duvide dele. Você é a única pessoa que não vai decepcioná-lo.

  6. Tenha em mente que você é responsável pelo que faz com sua vida e com seus sonhos. Por mais que circunstâncias ou pessoas o atrapalhem, a responsabilidade ainda será sua.

  7. Se souber algo, utilize seu conhecimento e passe-o adiante, e se não souber, pergunte.

  8. Tenha uma linguagem proativa, diga que “quer” ou que “é importante fazer” algo ao invés de que “tem que” ou “precisa fazer” algo.

  9. Acredite e aja: quando quiser qualquer coisa na sua vida é importante que você acredite que pode ter ou fazer aquilo e comece a agir.

  10. E o mais importante: seja feliz, qualquer escolha é válida desde que lhe traga felicidade genuína, aquela que se consegue sem passar por cima dos outros, de forma limpa e transparente.
Essas dicas parecem simples e otimistas demais, mas a aplicação delas não é simples, é importante que você busque doses extras de otimismo em si mesmo, mas desde que você acredite no seu novo rumo, você vai chegar lá.

Os orientais têm um provérbio que diz que “quando se busca o cume da montanha, não se dá importância às pedras do caminho”.