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segunda-feira, 9 de março de 2015

Distorção - subterfúgio para irresponsabilidades

Um indivíduo ou companhia dotada de responsabilidade tem a obrigação de responder pelas próprias ações ou pelas ações daqueles pelos quais é responsável, e divulgar os resultados de forma transparente.

O ser humano usa habilmente seu cérebro e distorce os fatos, de forma que ele possa, quase sempre, fugir de suas responsabilidades. A maneira mais fácil para distorcer é mentir, mas há quem prefira usar métodos mais elaborados como omitir, ou contar um fato de uma maneira mais conveniente.

Em vez de dizer “eu joguei o prato no chão”, diz “o prato caiu da minha mão”.

Perceba que na primeira frase eu devo estar nervosa, atirando pratos a todo lado, sou culpada pelo prato ter quebrado.

Na segunda frase, parece um acidente, não sou culpada.

A evidência está lá, os cacos do prato, mas a maneira como aconteceu pode ser contada de várias formas.

“Quando eu cheguei, encontrei o prato quebrado, com cacos espalhados pela cozinha”. Nesta frase, ninguém é culpado, o prato se suicidou ou um vilão malvado o fez.

A culpa imputa responsabilidade pelo ato, por isso as pessoas fogem da responsabilidade. Além do fato de que todos vão querer saber a razão, “por que você jogou o prato no chão?”, e se você não for o dono do prato ou não for um grego em uma festa de casamento, estará bem encrencado.

No fim das contas, ser responsável implica em assumir as consequências sejam elas boas (“Cá entre nós, esse prato eu tinha ganhado da minha sogra e eu o odiava. Nem sei como agradecer.”) ou ruins (“Esse prato estava na minha família a gerações, tinha um custo sentimental inestimável. Eu te odeio!”).



Exemplos de ações responsáveis: 
  • Um jovem vai à padaria comprar pão para sua mãe, retorna com o pão, o cupom fiscal e o troco.
  • Um pai leva sua família ao parque no fim de semana, antes de partir ele supervisiona se todos os ocupantes do veículo estão nos seus postos, com os cintos de segurança atados, e as portas devidamente travadas.
  • Uma mãe cozinha, com suas crianças pequenas longe da cozinha, com as panelas com o cabo para dentro, e monitora a movimentação das crianças.
  • Os pais mesmo separados conversam e cuidam da educação dos filhos de maneira harmônica, com todas as suas diferenças, jamais se ofendem ou brigam diante dos filhos.
  • Uma jovem diz ao namorado que não aceita o comprimido de ecstasy que ele a oferece, e termina o namoro, afastando-se dele.
  • Uma mulher denuncia o namorado por uma agressão e não aceita continuar o namoro.
  • Uma empresa investe 2 milhões acima do previsto em um projeto para evitar que um rio seja contaminado, mesmo que não exista regulamentação neste sentido.
  • Uma empresa patrocina atividades desportivas para uma comunidade carente, mesmo sem incentivos governamentais para o patrocínio.
  • Um filho cuida com carinho de seu pai idoso, mesmo que o pai sofra de uma enfermidade que o impeça de reconhecer as pessoas. 
  • Um cirurgião plástico não aceita ou recomenda fazer uma alteração no corpo de uma mulher que poderá lhe trazer danos, mesmo que não exista lei para o punir se o fizer.
  • Um político não desvia o dinheiro público, cumpre suas promessas, não participa de associações ou atos que prejudiquem o povo, sejam eles seus eleitores diretos ou não, e apresenta prestação de contas todos os anos. 


Chega de distorcer a realidade! Assuma sua responsabilidade!

Exemplos de distorções de responsabilidade:

  • Um jovem vai à padaria comprar pão para sua mãe, retorna com o pão, se sua mãe pergunta do cupom fiscal e do troco, ele diz que não recebeu o cupom e que o troco é só uma merreca. 
Mesmo que a mãe do jovem não faça conta do troco, o jovem deve lhe devolver o troco, a isso se chama transparência. Cabe a ela decidir o que fazer com o troco, não a ele.

O cupom ou nota fiscal nem sempre é fornecido por estabelecimentos comerciais pequenos, mas é direito do consumidor pedi-lo. Quando o seu Zé da padaria sonega impostos, toda a sociedade de alguma maneira paga por isso.

  • Um pai leva sua família ao parque no fim de semana, não se preocupa em fazer nenhuma checagem sobre a segurança dos ocupantes do veículo, e ainda pede que todos se apressem com o volume do som no último. Ninguém se ouve dentro do carro. 

O tal pai divertido, quando colidir com um carro, com certeza culpará unicamente o outro motorista, embora ele não tivesse como impedir que o motorista alcoolizado do outro veículo batesse em seu carro, ele poderia ter prevenido os ferimentos entre os seus filhos, que pulavam soltos no banco traseiro na hora da colisão.

Não se pode ser responsável pelos atos de pessoas que nem conhecemos, mas devemos ter condutas responsáveis por quem respondemos.

  • Uma mãe cozinha, não se preocupa com as crianças pequenas correndo de um lado para o outro na cozinha, na verdade nem lhes presta atenção, preocupada com todos os seus afazeres, pois ainda precisa lavar o banheiro, servir o almoço, dar banho nas crianças, deixa-las na casa da avó e sair para trabalhar como enfermeira no período noturno. 

A enfermeira vai culpar sua jornada árdua de trabalho, suas preocupações, a bagunças das crianças e até o ex marido que a deixou em um momento tão conturbado de sua vida, mas tudo que ela tinha que fazer para evitar que uma de suas crianças tivesse queimaduras era mantê-las fora da cozinha, e o cabo da panela para dentro do fogão.

  • Os pais separados não conversam entre si, nenhum deles se preocupa com a educação dos filhos, pois eles esperam que o outro se preocupe, sempre brigam na frente dos filhos, e fazem comentários negativos um sobre o outro. 

Sem perceber esse casal segue perpetuando suas desavenças, e sua imaturidade, arrastando os filhos juntos, haja terapia para consertar lares disfuncionais como estes, na verdade, o mais provável é que estes lares produziram outros lares como estes.

É responsabilidade dos pais educarem seus filhos e lhes passarem conceitos familiares, com exemplos e atitudes saudáveis.

  • Uma jovem aceita o comprimido de ecstasy que lhe é oferecido pelo namorado, eles se amam, têm muitos amigos e sempre vão a festas incríveis. 

A jovem não percebe que se seu namorado a amasse jamais a colocaria em perigo, e que os tais amigos são na verdade pessoas inseguras que não têm coragem de pular no buraco sozinhas, precisam arrastar alguém com eles.

Além disso, de onde tiraram essa ideia de que para se divertir uma pessoa precisa estar com sua consciência alterada (bebida alcoólica ou drogas)? Na verdade se alguém precisa dessa “ajudinha” para se divertir, é sinal que não será divertido.

Ser responsável é tomar decisões baseadas em informações e analisar consequências. Para tomar uma decisão, uma pessoa pode e deve consultar várias fontes.

  • Uma mulher é agredida pelo namorado, perdoa suas agressões, ele diz que a ama e está arrependido. Ela segue com o namoro, casa-se com ele, têm filhos e passa a ser agredida com mais frequência. 

Apesar de me solidarizar com os movimentos que defendem as mulheres de violência, e estar disposta a defender qualquer pessoa que esteja nessa situação, tenho que dizer que se você é uma mulher que não vive sob uma burca, em um regime que cerceia os seus direitos, como é o caso do nosso país, metade da culpa das agressões é sua.

Existe vários mecanismos públicos de defesa, embora muitos digam que não são eficazes, a verdade é que se tais mecanismos são acionados no primeiro tapa, jamais haverá um segundo tapa para contar a história.

Além disso, homem que bate em mulher não sabe amar, não se iluda. Também não caia na armadilha dos 50 tons de cinza, os agressores não são milionários lindos, e mesmo que fossem, ele teria até mais meios de demonstrar seu romantismo do que com pancadas. Quer ser amada? Seja responsável antes de mais nada por si própria.

  • Uma empresa não investe 2 milhões acima do previsto em um projeto para evitar que um rio seja contaminado, porque não existe regulamentação neste sentido. 

Qualquer indivíduo ou empresa tem responsabilidade com o meio ambiente. Se o seu negócio prejudica de alguma forma o meio ambiente e você não faz nada ou evita considerar o assunto, significa que não tem apreço pelas vidas que o cercam, sejam seus pais, filhos, colaboradores, animais e plantas. Ou seja, está no planeta errado.

  • Uma empresa só patrocina atividades desportivas para uma comunidade carente, se houver incentivos governamentais que valham a pena para o patrocínio. 

Atividades altruístas como empregar pessoas com necessidades especiais, patrocinar atividades que incentivam o desenvolvimento social, elevam o grau de desenvolvimento do seu meio.

Uma oficina de alfabetização de adultos, um curso técnico patrocinado ou mantido pela sua empresa, vai lhe render, em um futuro próximo, profissionais melhores preparados.

Qualquer empresa que tenha aberto um processo de contratação sabe o quão difícil é encontrar o candidato apropriado. Mas se ele for treinado de antemão pela sua empresa, ela terá garantias de que ele é apropriado, além disso, sua empresa estará criando um padrão de mercado. Os profissionais que não forem absorvidos pela sua empresa, estarão por aí divulgando seu padrão, gerando uma concorrência mais justa.

  • Um filho não cuida de seu pai idoso, o pai sofre de uma enfermidade que o impede de reconhecer as pessoas. 

Que tipo de cidadão deixaria de retribuir o carinho recebido na infância? Se não recebeu esse carinho, não seria esse o momento de demonstrar o que é carinho? Que te importa se seu pai está lúcido ou não? É um ser humano. Como gostaria de ser tratado se estivesse no lugar dele?

Ter essa grandeza de espírito também é ser responsável.

  • Um cirurgião plástico aceita e recomenda alterações no corpo de uma mulher que podem lhe trazer danos, porque não existe lei que proíba as alterações. 

A vaidade humana leva as pessoas à irresponsabilidade, se essa “mulher biônica” não tem consciência dos seus limites, cabe ao cirurgião plástico tê-la para dar conselhos e advertências à ela, que melhorou tudo menos seu cérebro que continua a produzir em sua mente uma imagem distorcida.

Aceitar-se com se realmente é faz parte de ser responsável.

  • Um político desvia dinheiro público, não cumpre suas promessas, se for lucrativo para ele, participa de associações e atos que prejudiquem o povo, e quando apresenta prestação de contas, elas são falsificadas. 

Eu diria que esse político começou não devolvendo o troco do pão, talvez tenha entrado para a política mais pela boa lábia do que por idealismo, vendo oportunidade de ficar com o “troco” em tudo o que faz.

Sempre tem a desculpa “fiquei com o troco, mas trouxe o pão”, “no meu mandato não faltou pão”, “se você tem pão na mesa, é graças a mim”.

De troco em troco, a ganância cresceu, um belo dia faltou pão para sobrar mais troco.

Corrupção é ganância misturada com falta de ética, uma grande irresponsabilidade. E quem é o culpado? A mãe (pátria) que não exigiu o troco, ou o filho (servidor público) que não devolveu o troco? «

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Não crie oportunidades para malfeitos

Nenhuma empresa está imune aos escândalos como os que se viram recentemente com a Petrobrás e HSBC: fraudes, corrupção e lavagem de dinheiro.

Mesmo que o fundador da empresa seja uma pessoa extremamente honesta e de princípios inquestionáveis, uma empresa é formada por pessoas. E se tratando de pessoas, trata-se da união de personalidades, crenças e valores diferentes.

Se até em um casamento, onde se casa com a pessoa que se ama, podem haver surpresas desagradáveis, imagina em uma empresa com 10, 100, 1000, 10000 ou mais pessoas diferentes.


mal·fei·to

adjetivo
1. Que tem defeito ou foi mal executado. = IMPERFEITO
2. Disforme.
3. [Figurado]  Mau, maldoso, injusto, imerecido.
substantivo masculino
4. Dano, prejuízo, estrago.
5. [Antigo]  Malfeitoria.

"malfeito", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, 
http://www.priberam.pt/dlpo/malfeito [consultado em 10-02-2015].

Basta uma maçã podre para que a cesta de frutas fique comprometida.

Os problemas quase sempre vêm de cargos de confiança, pessoas com muitas chaves e acessos e nenhum controle sobre seus atos.

Empresas que trabalham na distribuição de valores (carros fortes), investigam a situação financeira e até as amizades das pessoas que lidam diretamente com o dinheiro, antes de contratá-los, e estas pessoas trabalham sob o monitoramento constante de câmeras de segurança, além disso são feitas várias conferências programadas e aleatórias durante o dia.

Esse controle é mantido mesmo que a pessoa tenha anos de empresa e a confiança de todos, é um controle preventivo.

Mesmo que por algum motivo essa pessoa ou alguém ligado a ela tenha algum pensamento para burlar o sistema, percebe logo que é tão complicado e trabalhoso que não vale a pena tentar. É por esse motivo que se ouve notícias sobre explosões em caixas eletrônicos, e quase não se ouve notícias sobre roubo aos carros fortes.  Os carros fortes já foram os alvos preferidos dos ladrões, mas as empresas de distribuição de valores, investiram em recursos de segurança que tornaram as ações criminosas quase nulas.

Minha pergunta é: por que os diretores com poder de assinar contratos milionários, não são monitorados?

Qual a diferença entre um diretor de uma empresa e o cara que conta o dinheiro e separa em pacotes para o carregamento de carros forte?

Alguém tem ideia do montante de dinheiro que passa diariamente pela mão do cara que conta o dinheiro? Eu não tenho, mas partindo do pressuposto de que um carro forte, distribui dinheiro à vários caixas eletrônicos e agências, e recolhe dinheiro de vários estabelecimentos, e esse contador lida com mais de um carro forte por dia, eu diria se tratar de milhões.

Talvez passe mais dinheiro pela mão dele do que pela mão de um diretor. Entretanto, ele é monitorado, para que não roube ou tenha ideias neste sentido (prevenção), o diretor não é.

Eu já vi o trabalho de auditorias internas, mesmo quando elas respondem diretamente ao Conselho de Administração, o trabalho delas é muito tímido em relação ao alto escalão da empresa. Claro que não é trabalho da auditoria interna monitorar, mas se houver algo errado é trabalho dela detectar, mesmo no alto escalão.

Uma fraude, um ato de corrupção, pode acontecer em qualquer nível hierárquico, desde que as pessoas tenham oportunidade e índole para cometê-los.

Dos dois fatores, a índole é mais difícil de detectar, não são para todos os cargos que as leis trabalhistas permitem investigação em registros criminais; além disso, um sujeito pode ter registro criminal e ter se recuperado, ou ele pode não ter nenhum registro criminal, e ter uma mente perversa e criminosa à espreita de uma oportunidade para entrar em ação.

Já a oportunidade, ela pode ser eliminada ou monitorada. Por exemplo, se um diretor pode escolher uma empresa para prestar serviços, os critérios poderiam ser preestabelecidos, por um departamento de compras, com autonomia para questioná-lo sobre a escolha. O contrato não pode ter cláusulas que prejudiquem a empresa contratante, e, deve ser revisto de tempos em tempos, quanto a qualidade do serviço apresentado, cumprimento dos prazos, compatibilidade de preços com o mercado. Toda vez que a escolha recair sobre serviços de maior preço, a qualidade superior aos demais deve ser comprovada.

Se há 3 fabricantes de canetas, a escolha pela mais cara deve recair nela, porque comprovadamente, ela dura mais que as demais, em termos que compense, pois se ela dura duas vezes mais que as outras, mas o preço das outras é cinco vezes menor não compensa. Por outro lado, se ela dura tanto quanto as outras, mas para fabricá-la usa mão de obra estritamente brasileira, onde não é cometido nenhum abuso trabalhista, já as outras tem parte de produção em outros países, e não estão em dia com os tributos trabalhistas, seria aconselhável ficar com a mais cara, por motivos éticos e de apoio à economia local, que na verdade é seu mercado consumidor.

Os critérios precisam estar claramente estabelecidos, e serem revistos conforme o ganho de maturidade da empresa. Se sua empresa tem características sustentáveis, ela vai privilegiar contratos com empresas com características semelhantes, preocupadas com o meio ambiente e as condições trabalhistas adequadas.

Acredito que em um futuro próximo, as empresas sejam mais éticas e menos gananciosas, toda a sociedade, inclusive as próprias empresas, só terão a ganhar com isso. Mas para isso, elas precisam se engajar em ações preventivas de monitoramento. Ninguém mais aguenta ouvir aquela frase manjada e falsamente inocente: "eu não sabia!" (É obrigação saber.) «