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segunda-feira, 22 de junho de 2009

Desperdício de recursos

Nesses últimos meses, eu fiquei pensando sobre como as empresas conduzem seus negócios. Sempre me incomodou a promiscuidade com que os recursos das empresas são utilizados.

Um exemplo: certa empresa disponibilizou laptops e celulares a todos os seus líderes, mas somente 5% deles precisavam de mobilidade. O que aconteceu?

Todos eles iam para as reuniões com seus laptops, e lá ficavam mandando e-mails ou saiam no meio da reunião porque em algum lugar houve um problema.

As reuniões passaram a ser intermináveis e menos resultados eram obtidos delas.

Para não deixarem seus celulares sem uso, com o medo injustificado de perder o privilégio, passaram a ligar para ramais internos ou de celular para celular, mesmo quando o outro estava no seu campo de visão, inclusive para chamar o colega para o almoço.

Eu sempre achei que as ferramentas devem ser adequadas ao trabalho, mas as empresas tentam ser “justas”, dando “status idêntico” ao mesmo nível hierárquico.

Bom, quando eu tive que visitar um cliente eu levei meu próprio pendrive com os dados que eu precisava, nesse caso um laptop e um celular seriam mais efetivos. Se a empresa fosse mesmo organizada ela teria alguns itens reservados para esses casos. Não tinha.

O meu caso não foi o único, porém eu visitava clientes esporadicamente, mas havia aqueles profissionais que visitavam regularmente. Mas como não tinham o nível hierárquico adequado se viravam como podiam, ou brigavam para conseguir a ferramenta de trabalho adequada.

Os desperdícios, em geral, ocorrem com anuência do grupo executivo das empresas. Geralmente, são eles que determinam os privilégios de seus executivos. Não estou dizendo que eles não os mereçam, apenas que os recursos precisam ser utilizados de forma adequada.

Se você acha imprescindível que seus executivos tenham essas ferramentas, porque quer estar tecnologicamente à frente dos seus concorrentes, que tal estender ao seu pessoal que precisa de mobilidade? Por que criar barreiras baseadas no cargo? Se o orçamento não permite essa extravagância, então que dê as ferramentas corretas a quem precisa utilizá-las.

Nessa mesma empresa, qualquer instalação de software deveria ser autorizada pela diretoria, pois a licença era debitada do seu orçamento, orçamento consumido por ligações celulares internas, em compra de equipamentos mais caros (laptops) para pessoas que não precisavam de mobilidade no trabalho. Imagine a frustração de não obter o uso de uma ferramenta necessária, pois o orçamento estava estourado.

Lembro também que nas vezes que viajei minhas refeições não eram inclusas, mas quando o meu gestor viajava, ele recebia o reembolso das refeições. Tudo uma questão de status profissional.

Isso me faz lembrar o que um professor dizia: “a justiça nem sempre é justa”. Por quê? Porque quando ela trata a todos da mesma forma ela se torna injusta. Digamos que você tenha duas pessoas, uma criança e um adulto, e reparta duas fatias de bolo exatamente com o mesmo peso, 100 gramas. Para a criança pode ser muito e para o adulto pode ser pouco, mas as fatias foram repartidas de forma igual e sem discriminação.

Se a fatia fosse menor para a criança e maior para o adulto, ambos ficariam satisfeitos, o custo seria o mesmo (200 gramas de bolo) e não haveria desperdício, pois a criança não jogaria fora a parte que não conseguiu comer.

Talvez se as empresas parassem de ajustar às ferramentas ao cargo, e as ajustassem à função, elas teriam um melhor aproveitamento dos seus orçamentos, e uma eliminação dos desperdícios. Esses desperdícios depõem contra o orçamento da empresa a longo prazo.

O tamanho da fatia de bolo que satisfaz o colaborador.
Imagine que você tenha um bolo de 1 kg, o que dá 10 fatias de 100 gramas, e você precisa alimentar 5 adultos e 5 crianças, os adultos precisam de 150 gramas e as crianças de 50 gramas, mas você divide igualmente 100 gramas para cada um deles.

Assim, você terá 5 adultos querendo mais, e 5 crianças satisfeitas, mas que jogaram juntas 250 gramas do seu bolo no lixo, exatamente a parte que faltou para satisfazer os adultos.

Faça a mesma coisa mais 3 vezes, e terá jogado um bolo inteiro no lixo. Ou seja, se o bolo é servido todo mês, a cada 4 meses você perde um bolo inteiro e 5 adultos se sentem insatisfeitos todos os meses.

Durante o ano você terá perdido 3 meses (ou 3 bolos), e tem 5 adultos muito insatisfeitos, principalmente porque eles sabem que parte do bolo vai para o lixo, eles até reclamam, mas a empresa está sendo justa, e como a justiça ela prefere ser cega.

Talvez esse seja o momento de tirar a venda dos olhos e fazer as contas. Com pequenos ajustes na distribuição dos recursos você pode melhorar a satisfação dos seus colaboradores, sem qualquer desperdício. «

terça-feira, 19 de maio de 2009

Cadeia de consumo

A nossa cadeia de consumo é formada por extração, produção, distribuição, consumo e disposição, entretanto é um ciclo em falência. Nossos antepassados não pensaram na sua sustentabilidade, e apesar de discutirmos o assunto ainda não pensamos nisso de forma inteligente.

Tudo o que é feito e falado sobre o assunto ainda é muito pouco ou equivocado. Devemos ser mais conscientes dessa realidade, porque estamos destruindo a nós mesmos. De todas as formas possíveis, negligenciando o futuro dos nossos sucessores naturais.

A globalização transforma países inteiros em fornecedores para essa cadeia. Dessa forma, regiões inteiras apresentam mudanças climáticas drásticas com a extração do solo, vegetação e rios, enquanto outras por questões sociais deficientes oferecem mão-de-obra barata para a produção, os mercados ganham a tarefa de distribuir o mais rápido possível, somos educados desde crianças a consumir, somos consumidores vorazes, meticulosamente treinados para isso.

Os produtos são fabricados para serem descartáveis ou cobiçados, os celulares representam um bom exemplo disso, além de serem frágeis, sempre queremos o último modelo, enquanto nem sabemos o que fazer com o modelo antigo, mas ele tem um componente perigoso a bateria, você não pode reaproveitá-la no novo aparelho, são propositalmente incompatíveis. Entretanto, uma bateria não pode ser simplesmente jogada no lixo, mas quantas pessoas sabem disso?

Querida, mulheres inteligentes acreditam no amor e reciclam seus sapatos!
Fala-se em reciclar o lixo, mas a reciclagem tem limitações, o que o governo está fazendo para a coleta seletiva de lixo, o que estamos fazendo para reduzir nosso lixo, eu fico impressionada com a quantidade de embalagens que temos que colocar no lixo. Mas o lixo que produzimos ao consumir é 70 vezes menor que a quantidade de lixo que resulta na produção do produto consumido.

Em algumas empresas há o uso de papéis reciclados, mas nem sempre é feito de forma correta, elas precisam verificar a composição adequada para a impressora que possuem, alem de criar uma campanha de redução de consumo.

Faça uma visita à impressora de sua empresa, e veja quanto papel impresso está lá abandonado, as pessoas imprimem sem necessidade.

É tudo uma questão de educação, não tínhamos o hábito de evitar desperdícios, não basta que você diga, a partir de hoje vamos evitar o desperdício e toda a sua empresa vai responder positivamente. As pessoas não praticam isso em suas vidas pessoais, como vão praticar na empresa?

Além disso, existem algumas fobias sociais que não ajudam em nada. 

No banheiro de uma empresa eu assisti uma cena que me deixou muito surpresa. Uma garota abriu a torneira do lavatório, avisou ás outras para não fechá-la; entrou na casinha para fazer suas necessidades; voltou; lavou as mãos na torneira que jorrava água por todo esse tempo; enxugou as mãos com quase meia dúzia de folhas de papel; atirou no lixo; pegou a mesma quantidade de papel; fechou a torneira e levou os papéis para abrir a porta do banheiro.

Insano, mas isso pode estar acontecendo na sua empresa, como uma pessoa de formação superior pode ser tão mal informada? E, o pior ela pode virar exemplo para outras pessoas susceptíveis a essas fobias.

O que você pode fazer para evitar esse desperdício na sua empresa? Educar. Forneça informação aos seus funcionários, com foco em suas vidas pessoas, elas precisam mudar seus hábitos, e eles começam em casa.

Além disso, crie um ambiente funcional, troque as torneiras por torneiras com sensores, coloque avisos para evitar desperdícios. Se necessário, repense as maçanetas. Alguém me contou uma técnica empregada por um aeroporto da Europa para manter os banheiros masculinos limpos por mais tempo. Pintaram uma mosca como alvo na louça dos mictórios no local exato onde se deveriam urinar, com o desafio lançado, os frequentadores do banheiro passaram a acertar o alvo.

Repense a sua cadeia produtiva, de onde vem a matéria-prima, o que acontece com seu produto depois de consumido, existe um grande grupo de consumidores, que vem aumentando, preocupado com isso.

Eu ainda não vi empresas abrindo canais de comunicação com esse grupo consumidor, mas acredito que seria uma parceria e tanto, afinal todos podem sair ganhando.

Enquanto isso não acontece, que tal ser mais conscientes do nosso papel na cadeia de consumo?


Em tempo, visite o site Story of Stuff e assista a um vídeo (versão legendada ou sem legendas) muito bem elaborado sobre a cadeia de consumo e os perigos que ela representa para nós. Aposto que vai mudar seus conceitos. «