Mostrando postagens com marcador aprendizagem em grupo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador aprendizagem em grupo. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Equipes produtivas conversam

As melhores equipes com que trabalhei apresentavam sinergia, conquistada puramente pelo diálogo.

Uma das equipes que liderei sofria uma pressão por resultados, interna e externa, muito elevada, e eu abria um espaço de 30 minutos na nossa agenda, no final do dia, para conversarmos sobre nossos desafios. O grau de descontração era tão grande que outras pessoas de outras áreas passaram a aderir ao nosso momento de descontração.

Acho que muita gente já passou por isso, tenta contar como foi sua rotina de trabalho em casa, e ela parece tão desinteressante ou enfadonha para quem está ouvindo que você fica frustrado, sentindo que seu trabalho é o mais chato do mundo, quando muitas vezes não é. Entretanto, algo fica entalado na garganta.

Era exatamente por isso que esses momentos de descontração eram tão bem-vindos e pessoas de outras áreas vinham participar deles.

Muitos líderes não vêem essa técnica com bons olhos, preferem equipes mudas que não se comunicam. Por falar nisso, eu tenho uma novidade para o líder que pensa assim, se notar que sua equipe não se comunica, saiba que está praticamente sentado em um barril de pólvora, e você mesmo é quem acende o pavio.

Seus colaboradores precisam conversar.
A comunicação da sua equipe faz com que ela tenha sinergia, renove suas forças para o trabalho que precisa ser realizado. Falar sobre assuntos diversos e assuntos do trabalho, deflagra a criatividade, mas como tudo na vida existe uma linha tênue entre a comunicação positiva e a negativa.

Use sempre o bom senso para notar e incentivar a comunicação positiva.

É a comunicação positiva que ajudará sua equipe a se entrosar de maneira profunda, de modo a construir algo em grupo, em vez de competir por brilho individual. «

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Desperdício de recursos

Nesses últimos meses, eu fiquei pensando sobre como as empresas conduzem seus negócios. Sempre me incomodou a promiscuidade com que os recursos das empresas são utilizados.

Um exemplo: certa empresa disponibilizou laptops e celulares a todos os seus líderes, mas somente 5% deles precisavam de mobilidade. O que aconteceu?

Todos eles iam para as reuniões com seus laptops, e lá ficavam mandando e-mails ou saiam no meio da reunião porque em algum lugar houve um problema.

As reuniões passaram a ser intermináveis e menos resultados eram obtidos delas.

Para não deixarem seus celulares sem uso, com o medo injustificado de perder o privilégio, passaram a ligar para ramais internos ou de celular para celular, mesmo quando o outro estava no seu campo de visão, inclusive para chamar o colega para o almoço.

Eu sempre achei que as ferramentas devem ser adequadas ao trabalho, mas as empresas tentam ser “justas”, dando “status idêntico” ao mesmo nível hierárquico.

Bom, quando eu tive que visitar um cliente eu levei meu próprio pendrive com os dados que eu precisava, nesse caso um laptop e um celular seriam mais efetivos. Se a empresa fosse mesmo organizada ela teria alguns itens reservados para esses casos. Não tinha.

O meu caso não foi o único, porém eu visitava clientes esporadicamente, mas havia aqueles profissionais que visitavam regularmente. Mas como não tinham o nível hierárquico adequado se viravam como podiam, ou brigavam para conseguir a ferramenta de trabalho adequada.

Os desperdícios, em geral, ocorrem com anuência do grupo executivo das empresas. Geralmente, são eles que determinam os privilégios de seus executivos. Não estou dizendo que eles não os mereçam, apenas que os recursos precisam ser utilizados de forma adequada.

Se você acha imprescindível que seus executivos tenham essas ferramentas, porque quer estar tecnologicamente à frente dos seus concorrentes, que tal estender ao seu pessoal que precisa de mobilidade? Por que criar barreiras baseadas no cargo? Se o orçamento não permite essa extravagância, então que dê as ferramentas corretas a quem precisa utilizá-las.

Nessa mesma empresa, qualquer instalação de software deveria ser autorizada pela diretoria, pois a licença era debitada do seu orçamento, orçamento consumido por ligações celulares internas, em compra de equipamentos mais caros (laptops) para pessoas que não precisavam de mobilidade no trabalho. Imagine a frustração de não obter o uso de uma ferramenta necessária, pois o orçamento estava estourado.

Lembro também que nas vezes que viajei minhas refeições não eram inclusas, mas quando o meu gestor viajava, ele recebia o reembolso das refeições. Tudo uma questão de status profissional.

Isso me faz lembrar o que um professor dizia: “a justiça nem sempre é justa”. Por quê? Porque quando ela trata a todos da mesma forma ela se torna injusta. Digamos que você tenha duas pessoas, uma criança e um adulto, e reparta duas fatias de bolo exatamente com o mesmo peso, 100 gramas. Para a criança pode ser muito e para o adulto pode ser pouco, mas as fatias foram repartidas de forma igual e sem discriminação.

Se a fatia fosse menor para a criança e maior para o adulto, ambos ficariam satisfeitos, o custo seria o mesmo (200 gramas de bolo) e não haveria desperdício, pois a criança não jogaria fora a parte que não conseguiu comer.

Talvez se as empresas parassem de ajustar às ferramentas ao cargo, e as ajustassem à função, elas teriam um melhor aproveitamento dos seus orçamentos, e uma eliminação dos desperdícios. Esses desperdícios depõem contra o orçamento da empresa a longo prazo.

O tamanho da fatia de bolo que satisfaz o colaborador.
Imagine que você tenha um bolo de 1 kg, o que dá 10 fatias de 100 gramas, e você precisa alimentar 5 adultos e 5 crianças, os adultos precisam de 150 gramas e as crianças de 50 gramas, mas você divide igualmente 100 gramas para cada um deles.

Assim, você terá 5 adultos querendo mais, e 5 crianças satisfeitas, mas que jogaram juntas 250 gramas do seu bolo no lixo, exatamente a parte que faltou para satisfazer os adultos.

Faça a mesma coisa mais 3 vezes, e terá jogado um bolo inteiro no lixo. Ou seja, se o bolo é servido todo mês, a cada 4 meses você perde um bolo inteiro e 5 adultos se sentem insatisfeitos todos os meses.

Durante o ano você terá perdido 3 meses (ou 3 bolos), e tem 5 adultos muito insatisfeitos, principalmente porque eles sabem que parte do bolo vai para o lixo, eles até reclamam, mas a empresa está sendo justa, e como a justiça ela prefere ser cega.

Talvez esse seja o momento de tirar a venda dos olhos e fazer as contas. Com pequenos ajustes na distribuição dos recursos você pode melhorar a satisfação dos seus colaboradores, sem qualquer desperdício. «

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Comprometimento profissional

Considero que o comprometimento profissional ocorre quando o profissional compreende plenamente o seu papel. Entende que o papel não se restringe apenas ao desempenho das suas funções, mas o “como” deve desempenhá-las.

A diferença é sutil, mas muito importante!

Por exemplo, é fácil identificar quais são as funções de um analista de processos, mas como ele desempenha esse papel é o ponto chave entre se ter um bom profissional e um ruim. Embora ambos conheçam as técnicas podem utilizá-las de forma diferente e até com objetivos e propósitos diferentes.

Certa vez, um colega analista de processos virou para mim e disse que todo o problema de falta de qualidade na empresa era insolúvel, pois na verdade era um problema cultural dos brasileiros, como se não fôssemos brasileiros também.

Com certeza, naquele momento o profissional dava um tiro no próprio pé. Como ele poderia trabalhar com uma atividade na qual ele não acreditava?

O triste é que ele não está sozinho, muitos profissionais de outras áreas agem da mesma forma. Embora nem todos verbalizem seus sentimentos.

Além disso, eu sou brasileira e me preocupo com a qualidade dos produtos e serviço que eu consumo, e da empresa para na qual eu trabalho. Na verdade o problema da falta de qualidade nas empresas nada tem a ver com a nacionalidade dos seus funcionários, existem empresas nos países desenvolvidos com os mesmos problemas que as nossas empresas.

A qualidade é medida pelo resultado do processo que precisa ser eficiente, eficaz e atingir objetivos específicos. A grande maioria das empresas tem dificuldade em definir seus objetivos, e quando o conseguem passam a ter dificuldades em comunicá-los de forma clara e precisa.

Dessa forma, verificamos que o problema até é cultural, mas não de uma nacionalidade, mas de uma empresa. E não importa muito o tamanho nem o capital da empresa, todas podem ter essa dificuldade se não adotam hábitos saudáveis de planejamento e comunicação.

Em geral, o topo da pirâmide quando não olha para a sua base, ou está com todo o seu foco no lucro, não percebe o que tem dentro da pirâmide. Não percebe o que tem de bom e pode estar perdendo, nem o que poderia estar melhorando.

A qualidade da sua empresa depende do comprometimento de todos.
As outras pirâmides progridem e parecem tão brilhantes, porque todos os seus colaboradores estão sorrindo e caminhando na mesma direção. O topo delas parece mais elevado porque tem um bom suporte.

A grama do vizinho é sempre mais verde porque ele cuida dela, e não perde tempo se preocupando como está a grama dos vizinhos. «

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Empresas que aprendem

As empresas estão preocupadas em absorverem as melhores práticas (CMMI, ITIL, CobiT, SOX, Família ISO, PMI, etc.), mas não em aprendê-las de fato. Para dizer a verdade, se não fosse moda, muitas delas nem dariam crédito a essas práticas.

Empresas que aprendem, não copiam as melhores práticas das outras, quem disse que o concorrente escolheu a melhor prática ou a usa de forma correta?

Em tempos de crise, sobrevivem as empresas que inovam e encontram maneiras alternativas para seguir em frente. Como a maioria das empresas são cópias umas às outras, muitas delas naufragam juntas, pois cometem os mesmos erros.

Peter M. Senge escreveu em 1990 um livro chamado “A Quinta Disciplina”, onde ele defende que as empresas que aprendem deveriam ter 5 disciplinas:
  1. Domínio Pessoal;
  2. Modelos Mentais;
  3. Visão Partilhada;
  4. Aprendizagem em Grupo;
  5. Pensamento Sistêmico.

Domínio Pessoal é a base da empresa que aprende, onde as pessoas experimentariam atitudes criativas e não reativas.
Exercício: Esclareça o que é importante para você e porque está nesse caminho.
No último dia de aula da minha graduação (1994), o professor de psicologia preferiu se despedir com uma citação do livro “A Erva do Diabo” de Carlos Castañeda, que se encaixa perfeitamente nessa disciplina:
“Qualquer caminho é só um caminho e não é ofensa nem a nós mesmos, nem aos demais em deixá-lo, se é isso que o se coração lhe diz. Tente-o, quantas vezes quanto julgar necessário. Então, formule a si mesmo, somente a si mesmo uma pergunta...
Esse caminho tem um coração?
Se o tem, o caminho é bom, se não o tem, não deve ser trilhado.”
Pensar “fora da caixa”, um conceito apresentado em um post anterior complementa essa disciplina.
Lembre-se que uma empresa é formada por pessoas, cada pessoa é capaz de realizar a interação da razão com a intuição, sentir-se ligada ao mundo, preocupando-se inclusive com questões ambientais, ter compaixão e compromisso com o todo.
Modelos Mentais são as “crenças”, idéias, profundamente, arraigadas ou até mesmo imagens que nos ajudam a encarar o mundo e que formam nossas atitudes.
Em geral, cada pessoa que se junta a sua empresa, tem uma trajetória profissional, formada pelas educações acadêmica, familiar e social. Por mais que o nível educacional das pessoas que formam uma empresa seja parecido, eles trazem a experiência pessoal e suas crenças junto. Por muito tempo pediu-se aos profissionais que deixassem suas vidas em casa, mas hoje compreendemos que é impossível proibir que as pessoas se apaixonem, sintam antipatia, não comentem suas vidas pessoais no trabalho. Claro que jamais devemos nos esquecer das noções básicas de etiqueta. Mas aquele profissional só é bom no que faz porque ele tem uma vida, ele tem por quem cantar, dançar, rir e até chorar. Se tirarmos isso dele o que fica?

Por isso, um bom líder contribui com o modelo mental dos outros. É aquela pessoa que nos alimenta com seus conselhos, observações, críticas, sugestões, enfim nos enriquece com seu próprio modelo mental, sem mudar o nosso.
Visão partilhada são objetivo, valor e missão compartilhados com todos os colaboradores da empresa.
Todos sabem responder à pergunta: O que queremos criar?
Todos se sentem co-responsáveis e comprometidos.

Em relação a um objetivo uma pessoa pode ter uma das seguintes atitudes:
  • Comprometimento – fará com que aconteça, criará o que não existir.
  • Participação – fará o que for necessário, dentro do que existe.
  • Obediência genuína – enxergará benefícios, fará o esperado e seguirá o objetivo.
  • Obediência formal – pode enxergar os benefícios, fará o que é esperado e nada mais.
  • Obediência relutante – não enxergará os benefícios, mas não quer perder o emprego, fará porque é obrigada.
  • Desobediência – não enxergará os benefícios e não fará o esperado.
  • Apatia – nem contra nem a favor, não se interessará.
Podemos observar que obediência é muito diferente de comprometimento, e mesmo a obediência genuína não acrescenta muito ao aprendizado da empresa. Ter um objetivo sem o comprometimento de todos pode não ser tão compensador. Pessoas comprometidas têm entusiasmo, se empolgam, e se houver procedimentos burocráticos dentro da empresa que não favoreçam o seu objetivo, elas vão modificá-los, ao passo que quem somente cumpre ordens não vai fazer nada para mudá-los.

Aprendizagem em grupo ocorre por meio de diálogo e discussão, o que geram conflitos. Mesmo que você tenha ao seu comando uma equipe de gênios, não significa que alcançará sucesso. O diálogo precisa ser incentivado.

A figura do líder é importante para ajudar o grupo a analisar com discernimento as questões complexas, cada individuo deve ter consciência de que suas ações complementam as do grupo, não existe o sucesso individual, mas o do grupo, nesse ponto as empresas pecam quando incentivam as disputas, premiando indivíduos que se destacam e não o grupo. Os animais que vivem em bando, caso não estejam fugindo, não abandonam os mais frágeis, eles os ensinam a se protegerem.


Pensamento sistêmico é ver a empresa como pessoas interligadas, é a integração das demais disciplinas. Onde as pessoas são importantes dentro de seu domínio pessoal, têm suas crenças através de modelos mentais, têm uma visão partilhada, ou seja, um objetivo comum, e, a aprendizagem é realiza em grupo. Assim, temos uma empresa que aprende, formada basicamente por pessoas que pensam “fora da caixa”.