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terça-feira, 19 de maio de 2009

Cadeia de consumo

A nossa cadeia de consumo é formada por extração, produção, distribuição, consumo e disposição, entretanto é um ciclo em falência. Nossos antepassados não pensaram na sua sustentabilidade, e apesar de discutirmos o assunto ainda não pensamos nisso de forma inteligente.

Tudo o que é feito e falado sobre o assunto ainda é muito pouco ou equivocado. Devemos ser mais conscientes dessa realidade, porque estamos destruindo a nós mesmos. De todas as formas possíveis, negligenciando o futuro dos nossos sucessores naturais.

A globalização transforma países inteiros em fornecedores para essa cadeia. Dessa forma, regiões inteiras apresentam mudanças climáticas drásticas com a extração do solo, vegetação e rios, enquanto outras por questões sociais deficientes oferecem mão-de-obra barata para a produção, os mercados ganham a tarefa de distribuir o mais rápido possível, somos educados desde crianças a consumir, somos consumidores vorazes, meticulosamente treinados para isso.

Os produtos são fabricados para serem descartáveis ou cobiçados, os celulares representam um bom exemplo disso, além de serem frágeis, sempre queremos o último modelo, enquanto nem sabemos o que fazer com o modelo antigo, mas ele tem um componente perigoso a bateria, você não pode reaproveitá-la no novo aparelho, são propositalmente incompatíveis. Entretanto, uma bateria não pode ser simplesmente jogada no lixo, mas quantas pessoas sabem disso?

Querida, mulheres inteligentes acreditam no amor e reciclam seus sapatos!
Fala-se em reciclar o lixo, mas a reciclagem tem limitações, o que o governo está fazendo para a coleta seletiva de lixo, o que estamos fazendo para reduzir nosso lixo, eu fico impressionada com a quantidade de embalagens que temos que colocar no lixo. Mas o lixo que produzimos ao consumir é 70 vezes menor que a quantidade de lixo que resulta na produção do produto consumido.

Em algumas empresas há o uso de papéis reciclados, mas nem sempre é feito de forma correta, elas precisam verificar a composição adequada para a impressora que possuem, alem de criar uma campanha de redução de consumo.

Faça uma visita à impressora de sua empresa, e veja quanto papel impresso está lá abandonado, as pessoas imprimem sem necessidade.

É tudo uma questão de educação, não tínhamos o hábito de evitar desperdícios, não basta que você diga, a partir de hoje vamos evitar o desperdício e toda a sua empresa vai responder positivamente. As pessoas não praticam isso em suas vidas pessoais, como vão praticar na empresa?

Além disso, existem algumas fobias sociais que não ajudam em nada. 

No banheiro de uma empresa eu assisti uma cena que me deixou muito surpresa. Uma garota abriu a torneira do lavatório, avisou ás outras para não fechá-la; entrou na casinha para fazer suas necessidades; voltou; lavou as mãos na torneira que jorrava água por todo esse tempo; enxugou as mãos com quase meia dúzia de folhas de papel; atirou no lixo; pegou a mesma quantidade de papel; fechou a torneira e levou os papéis para abrir a porta do banheiro.

Insano, mas isso pode estar acontecendo na sua empresa, como uma pessoa de formação superior pode ser tão mal informada? E, o pior ela pode virar exemplo para outras pessoas susceptíveis a essas fobias.

O que você pode fazer para evitar esse desperdício na sua empresa? Educar. Forneça informação aos seus funcionários, com foco em suas vidas pessoas, elas precisam mudar seus hábitos, e eles começam em casa.

Além disso, crie um ambiente funcional, troque as torneiras por torneiras com sensores, coloque avisos para evitar desperdícios. Se necessário, repense as maçanetas. Alguém me contou uma técnica empregada por um aeroporto da Europa para manter os banheiros masculinos limpos por mais tempo. Pintaram uma mosca como alvo na louça dos mictórios no local exato onde se deveriam urinar, com o desafio lançado, os frequentadores do banheiro passaram a acertar o alvo.

Repense a sua cadeia produtiva, de onde vem a matéria-prima, o que acontece com seu produto depois de consumido, existe um grande grupo de consumidores, que vem aumentando, preocupado com isso.

Eu ainda não vi empresas abrindo canais de comunicação com esse grupo consumidor, mas acredito que seria uma parceria e tanto, afinal todos podem sair ganhando.

Enquanto isso não acontece, que tal ser mais conscientes do nosso papel na cadeia de consumo?


Em tempo, visite o site Story of Stuff e assista a um vídeo (versão legendada ou sem legendas) muito bem elaborado sobre a cadeia de consumo e os perigos que ela representa para nós. Aposto que vai mudar seus conceitos. «

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Mudança: uma necessidade permanente

“Em time que está ganhando não se mexe”, quem nunca ouviu essa frase?

Em minha opinião, é uma frase equivocada, apesar de representar uma estratégia, posso dizer que é uma das piores estratégias que uma pessoa, um time, uma empresa ou sociedade poderia adotar.

Por quê? Porque ela bloqueia mudanças. Você deixa de pensar nas alternativas, e fica sem um plano alternativo para qualquer eventualidade. Um time que vence hoje pode não vencer amanhã, não importa que seja o mesmo adversário. Um bom adversário jamais ficará estagnado, ele mudará. E se você não mudar, não será páreo para ele.

Faz sentido, certo? Acredito que você já viu isso acontecer com seu time favorito. Ele esteve espetacular em alguns jogos e de repente tudo mudou drasticamente. E se ele não mudou a estratégia teve dificuldades para continuar vencendo ou simplesmente foi eliminado.

O principal motivo de estagnação ou fracasso de uma empresa é ter arraigado em seu intimo a máxima de que “em time que está ganhando não se mexe”. Provavelmente, você nunca ouviu essa frase, diretamente, em sua empresa, mas sabe de muitas pessoas que pensam dessa maneira.
Tecnologia? Para que? É caro e estamos indo bem sem ela.
Sustentabilidade? É só um modismo, quem se importa de onde vem nossa matéria-prima?
Qualidade? Meu cliente compra o que eu fabrico, não temos concorrentes.

Você vai ouvir mais em mais vezes a mesma ladainha de justificativas para não pensar nas mudanças necessárias, até que... Bingo! Aparece um concorrente com tecnologia, cadeia de produtos sustentáveis, e oferecendo qualidade ao cliente. E da noite para o dia seus clientes vão abandoná-lo. E por que não fariam isso?

Você mesmo trocaria de fornecedor, se ele oferecesse melhores preços, melhor qualidade nos produtos e ainda de quebra uma segurança de continuidade futura, pois ele pensa em sustentabilidade.


As empresas vencedoras trabalham com melhoria contínua, que nada mais é do que uma aceitação das mudanças, consciente de que elas fazem parte da evolução da empresa, para melhorar e inovar seus produtos ou serviços.  «

quarta-feira, 29 de abril de 2009

A sustentabilidade na TI

A TI tem aplicações em todos os setores do mercado. Portanto, até que ponto ela deve ser excessivamente técnica?

TI é a união de dois conceitos importantes tecnologia e informação, entretanto entre os dois o mais importante é a informação, pois a tecnologia é só o meio de obtê-la.

Mas quantos profissionais da área já se deram conta disso? Poucos. Eu ainda vejo profissionais da área não ouvindo os usuários de seus sistemas. É difícil melhorar a qualidade de algo quando não temos retorno do usuário, mas quando um usuário vai até um profissional de TI e diz: “eu quero um relatório X”. Ele está abrindo o canal para essa comunicação. Mas o que realmente acontece é que ou o profissional diz que não é possível criar o relatório ou cria sem averiguar a necessidade do usuário. Em ambos os casos, o usuário fica insatisfeito.

Se liga! Já ouviu falar em sustentabilidade? Devemos nos preocupar com o meio ambiente, por que criar mais um meio do indivíduo imprimir mais papéis?

Não se esqueça de que TI é a sua área, não a do usuário, ele precisa obter mais informações sobre um assunto, e pensa sempre em relatório, pode ser que a solução do problema dele envolva a criação de um sistema novo, você é o profissional que encontra a melhor solução. Dar o relatório a ele pode criar uma demanda por mais relatórios, e você corre o risco de não encontrar mais o seu usuário, perdido sob uma pilha de relatórios que ninguém mais sabe para o que servem.

Esse é um exemplo muito corriqueiro, de comunicação dentro de uma mesma empresa.

Mas não é porque você é um consultor que sua perspectiva muda, quando você levanta as necessidades do seu cliente, pode dar a ele soluções melhores. A conquista dessa credibilidade representa lucro para você e a empresa de consultoria que você representa.

Mais uma vez a palavra é sustentabilidade, ofereça serviços de parceiro, aquele que entende seu cliente e o ajuda a obter os melhores resultados.


Não me entendam mal, não estou dizendo que todos os relatórios devam ser eliminados, talvez repensados, face à fragilidade do nosso ecossistema. 

O que eu defendo é a paciência em ouvir o cliente ou usuário de forma a entender perfeitamente seu problema. Eu disse ouvir e não escutar, ouvir tem mais o sentido de solidariedade, de entendimento, o escutar é aquela coisa rápida, onde mentalmente você está fazendo outros planos ou se perguntando o que está fazendo ali.

Consciente das necessidades do seu usuário e do meio ambiente, que solução você poderia dar a ele?   «

segunda-feira, 16 de março de 2009

Sustentabilidade

Sustentabilidade é uma das palavras mais em voga atualmente, pois remete às empresas que se preocupam com o meio onde vive e sua permanência no mercado.

Mas não é um conceito novo, foi criado por volta de 1980 pela primeira-ministra da Noruega Gro Harlem Brundtland. Isso mesmo há quase 30 anos! O conceito aparece no Relatório Brundtland da ONU, Nosso Futuro Comum, onde como uma das metas internacionais estava, entre outras propostas, o banimento das guerras.

Sustentabilidade foi conceituada como “satisfazer as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de garantir as necessidades do futuro”.

Mas por que todos concordam com o conceito e poucos o seguem?
Talvez por lidarmos melhor com o que está diante dos nossos olhos, por não acharmos o futuro tão próximo, ou pelo simples fato de termos dificuldade com pensamentos estratégicos. Nem todo mundo gosta de jogar xadrez, e se gosta não vê aplicação no mundo real.


Não dar atenção à sustentabilidade não é uma falha apenas de governos e empresas, mas de pessoas comuns também. Todo e qualquer desenvolvimento deveria ocorrer de forma sustentável.

A forma como se lidera uma equipe, a forma como se realiza um trabalho, a forma como se compra um bem, deveriam ser sustentáveis.
  • Um líder não deveria exigir um esforço extra de seus colaboradores se não consegue cumprir suas promessas, no futuro terá uma equipe desmotivada.

  • Um colaborador não deveria negligenciar suas tarefas, se no futuro essa negligência pode custar seu emprego e de seus colegas, ou o seu enterro em uma tarefa que não o satisfaz.

  • Um cidadão não deveria se comprometer com dívidas futuras sem calcular como poderá quitá-las, uma vez que no futuro terá também outras dívidas.

A sustentabilidade nada mais é do que uma forma inteligente de se programar para o futuro e deveria fazer parte de sua estratégia.


terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Saber Ouvir: Uma arte esquecida

Seja qual for sua área de atuação ou o cargo que exerça desde que interaja com pessoas é primordial que saiba ouvir, somente dessa forma poderá tirar o melhor proveito das oportunidades.

E se você for um líder e não sabe ouvir, fatalmente terá um time desmotivado.

Saiba que uma demissão ocorre por culpa do líder, que não soube escolher o liderado, ou não soube exercer sua liderança de forma a ouvir seus liderados e dar a eles as motivações que necessitavam.

As substituições em geral são um grande problema nas empresas, pois elas investiram no colaborador anterior e não souberam retê-lo.

Algumas empresas como a IBM estão comprando capital intelectual, ou seja, elas incorporam empresas cujo capital intelectual lhe interessa, nessas incorporações não interessa fazer demissões, mas reter o capital intelectual.
O que vem a ser capital intelectual?

São exatamente as pessoas que geram idéias, inovam e pensam “fora da caixa”, e que também sabem ouvir. Conhecimento adquirido por uma empresa, que molda o seu diferencial em tecnologia para produtos e serviços.
Capital intelectual em ação

Na minha experiência profissional, foi ouvindo as necessidades das pessoas que eu pude aprimorar meu trabalho ou fazer com que ele realmente fosse útil e necessário.

Quando se trabalha com processos e qualidade, é comum ouvir dos executivos que sua atividade não gera lucro, muitas empresas não enxergam os benefícios, pois não estão acostumadas à visão de longo prazo.

Na verdade a empresa tem um problema hoje, não se antecipou e imagina que se começar a gestão de seus processos que nem foram mapeados ainda, amanhã tudo estará funcionando perfeitamente.

É um investimento, assim como quando iniciamos nosso curso na faculdade almejávamos sucesso, sabíamos que havia um longo percurso a percorrer e que com muito trabalho chegaríamos lá.

É comum o executivo acreditar que as coisas funcionam de uma forma, mas na prática muito pouco funciona daquela forma, por isso algumas empresas optam por estipular normas rígidas com punições severas.

Eu presenciei em uma empresa de TI a demissão de uma funcionária que se esqueceu de ir a um treinamento interno de CMMI, foi altamente constrangedor e desmotivador, e, pior, ela era um capital intelectual importante.

Saiba ouvir as pessoas, e entenderá por que elas não participam ou não se interessam. Ouvindo pode-se inclusive encontrar formas de motivar tais pessoas, e se você puder motivar o menos interessado, com certeza poderá mobilizar toda uma empresa.

Tem empresa trabalhando para o concorrente, pois as piores ameaças ocorrem internamente, elas reprimem seus talentos, valorizam a competição interna, e até premiam certas atitudes desde que o lucro aumente. E esquecem que altas doses de desmotivação comprometem o longo prazo. Sua empresa quer obter lucro apenas hoje ou sempre?

A palavra do momento é sustentabilidade, pois as grandes empresas aprenderam que não basta pensar a curto ou médio prazo, elas precisam pensar a longo prazo.

Assim como cada um de nós precisa se perguntar onde quer estar daqui a 10 anos, as empresas também precisam.

Certo empresário notou que atendia muito bem um cliente, mas ele queria diversificar, estender seus serviços, mas via que era em vão, aquele cliente consumia toda a atenção de sua empresa. Avaliou a sustentabilidade de sua empresa a longo prazo, e notou que se o cliente quebrasse ou decidisse mudar para um concorrente, a empresa dele quebraria. Além disso, a empresa dele não tinha se aprimorado em outras vertentes de sua área de atuação. Tomou a decisão de ir até o cliente e comunicar que iria encerrar o contrato, cumpriu com todas as atividades de desligamento necessárias, amparando o cliente para que ele pudesse encontrar um novo prestador de serviços. Após a transição, o empresário notou que os novos clientes chegaram, e seus lucros aumentaram. Hoje nenhum de seus clientes ultrapassa o percentual de 1% de seu faturamento.

Esse empresário ouviu seus colaboradores que queriam novos desafios.